Regulamentação ou Lobby?

Tudo começou quando li a respeito da regulamentação da profissão dos profissionais de informática. Não vou entrar em detalhes porque muita gente já escreveu sobre isso e eu estaria chovendo no molhado.

Uns tempos depois comecei a ler nos jornais notícias sobre a votação da regulamentação de outras profissões. Achei curioso, tudo na mesma época. Hoje saiu a mais bizarra, uma matéria no Globo sobre a votação da regulamentação da profissão de ESCRITOR. Pára tudo. ESCRITOR. Reproduzo aqui a nota:

Em tramitação na Câmara, em Brasília, um projeto de lei que regulamenta a profissão de escritor foi rejeitado pela Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da casa. O projeto (de número 4641/98), que estabelece normas para o exercício da profissão de escritor, já havia sido aprovado pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara, e há 15 dias foi votado na Comissão de Trabalho, que a rejeitou argumentando que não existe uma profissão específica de escritor e que a legislação brasileira já asseguraria os direitos dos escritores sobre suas obras. O texto vai agora para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania.

Não li, especificamente, esse projeto de lei. Mas se for nos moldes do projeto do profissional de informática, você precisa ter faculdade de informática pra trabalhar na área. Se você não tem, vai precisar fazer. Isso vai gerar uma demanda por cursos fast-food se quiser um emprego - poucas pessoas podem se dar ao luxo de parar 5 anos de trabalhar e ingressar numa boa universidade e se dedicar integralmente aos estudos para depois retomar o emprego. Aposto que o projeto de lei pra escritor era a mesmíssima coisa, e soava tão estapafúrdio (escritor????) que foi, em princípio, rejeitado.

Agora, imaginem vocês que nosso governo não investe nas universidades públicas nem em educação básica. Elas mal têm condições de receber os novatos a cada ano, quiçá de abrir cursos novos. Já não podemos dizer o mesmo das particulares, que parecem um McDonalds a cada esquina. Difícil não pensar que existe um lobby delas por trás destes vários projetos querendo tornar obrigatório o nível superior (não necessariamente de qualidade) para que tais profissões sejam exercidas.

É muita teoria da conspiração ou faz sentido?

Café

A máquina de café do trabalho tem, bem na frente, um texto explicando que o correto é dizer “café espresso”, pois isso significa que ele foi obtido através da pressão do pó pela água fervente, o que nos assegura um café encorpado, enquanto “café expresso” somente significaria um café rápido. A alguns centímetros dali, no botão da máquina, lê-se, nitidamente, em letras bem grandes, “CAFÉ EXPRESSO”. Por via das dúvidas, sempre aperto o botão de chá.

Mercado Estranho

Fiz hoje meu primeiro negócio no Mercado Livre. Comprei uma embalagem de um litro e meio de condicionador. Parece bobo, mas o que interessa aqui não é o que eu comprei, e sim como algo como o Mercado Livre pode dar tão certo.

Bizarrice no. 1. Você paga para espirrar em cada transação. TUDO tem uma taxa. Vendedores pagam. Compradores pagam. Os caras lucram até com sua respiração. Ah, vai ter alguém dizendo que sou exagerada. Compradores pagam quando optam, como eu, usar Mercado Pago (vou falar mais sobre meus problemas com o Mercado Pago depois) vendedores pagam, tudo é pago. Podiam cobrar uma porcentagem a cada transação efetuada com sucesso, e estariam riquíssimos. Mas o princípio de todo mundo no comércio é assim: estamos lucrando? Sim! Podemos lucrar MAIS? Então JÁ É! E o cliente que se dane.

Bizarrice no. 2. O Atendimento é um LIXO. É dificílimo falar com um ser humano num site que envolve transações financeiras - o que é ABSURDO. Você acha o formulário e o e-mail de contato escondidíssimos num cantinho misterioso depois de muita, muita procura. Para um newbie, é praticamente impossível. Não querem dar atendimento humano, é o que parece. COMO ASSIM, ELES LIDAM COM DINHEIRO. ISSO É, NO MÍNIMO, FALTA DE RESPEITO.

Bizarrice no. 3. O Mercado Pago. Aquilo, definitivamente, se funciona, funciona muito MAL. Comprei, como toda iniciante desconfiada, utilizando o alardeado sistema. Fiz via transferência bancária, já que, para usar cartão de crédito, pedem até o ENDEREÇO DE ENTREGA DA FATURA DO CARTÃO (fala sério, né?). Não recebi nenhuma confirmação da transferência bancária, entrei em contato com eles e enviei TRÊS VEZES o comprovante da transferência - e eles alegam não ter recebido - e me tratam com a maior má vontade, quando na verdade quem recebeu o dinheiro é quem deveria me fazer o favor de procurá-lo em sua conta, né? Afinal, da minha ele já saiu desde o dia 1o. e transferência bancária é automática. Um absurdo e TOTAL FALTA DE RESPEITO. O PROCON ficaria horrorizado se soubesse disso. Conheço um excelente advogado de direito do consumidor, só para ficarem sabendo. O mais bonito nessa história toda é que o Diretor do Mercado Livre tem um Blog, e uma área de comentários, mas como dá para notar, só comentários positivos são bem vindos.

Com base nisso tudo, só posso concluir que o Mercado Livre funciona porque as pessoas PRECISAM vender e comprar na internet e não existe um concorrente que ofereça condições melhores. Ou talvez as pessoas sejam ovelhinhas e não tenham abandonado o serviço quando ele começou a cobrar por cada espirro que você dava em cada página por comodidade, não sei bem - eu sinceramente preciso vender e comprar coisas, mas prefiro fazer um site no googlepages do que usar o Mercado Livre como mediador das minhas negociações, principalmente depois do que estou passando com eles. Se precisar comprar algo, procuro indicações de amigos, vou a lugares baratos, etc. Mas das meu suado dinheirinho para os mercenários do Mercado Livre? Nunca mais!

Update: Depois do barraco armado (mandei e-mail pro “Defesa do Consumidor” do Globo, trackback pro blog do Stelleo e múltiplos e-mails pro Mercado Livre com link inclusive para esse post) misteriosamente eles localizaram o pagamento. Mas, a essa altura, o estrago na imagem da empresa já foi feito.

Update2: Produto em mãos, e como funcionária do UOL, utilizarei o TodaOferta da próxima vez. Bem longe do Mercado Pago, que foi uma das coisas mais horríveis que já tentei na vida. Pra quem teve dificuldades de entender, meu problema foi com o Mercado Livre em si, não com o vendedor, que foi, coitado, muito paciente e compreensivo, já que minha transação do MP levou uma semana pra ser “reconhecida”. O produto chegou rápido, até.

Burguesia

Muita gente vem me chamando de burguesa, rica, etc, e me criticando porque eu corrijo o português alheio. Deixe-me explicar um pouco da história da minha família.

Meu avô Dario e minha avó Paulina, filhos de imigrantes italianos, não concluíram o ensino fundamental. Nasceram em Volta Grande e Barracão de Baunilha (atual distrito de Colatina) de onde vieram pro Rio com os filhos bem pequenos - minha mãe tinha meses de nascida - para tentar uma vida melhor, e ralaram muito, muito mesmo, até conseguirem uma casinha própria, um quitinete em Botafogo. Meu tio e minha mãe tiveram a oportunidade de estudar na época em que o ensino público ainda era decente por aqui e entraram para boas faculdades. Minha mãe virou médica, e meu tio engenheiro. Eu nasci em dezembro de 1979 e minha mãe se separou do meu pai em janeiro de 1983, e daí por diante eu passei a dividir um apartamentinho de 50 metros quadrados em Botafogo, com minha mãe e minha avó. Obviamente eu comecei a trabalhar cedo para poder pagar minhas próprias contas e tentar sair de casa o mais rápido possível. Logo, sou riquinha e burguesa porque meus avós, minha mãe e eu trabalhamos duro para eu ter o que tenho hoje.

Sobre o lance do português, eu sempre fui a melhor aluna do colégio, e procurava os professores para tirar dúvidas sempre que possível. Tive sorte de ter ótimos professores de português, mas acho que escrever bem é obrigação de qualquer pessoa. É seu idioma, se não te ensinaram direito, corre atrás e aprende. Sua vida vai ser prejudicada se você não fizer isso, é um conselho BOM que eu estou te dando. Se eu ficasse calada enquanto você escreve errado, eu estaria sendo má com você - é mais ou menos como ver alguém batendo sua carteira e não falar nada. Pessoas perdem oportunidades de emprego todo dia por escreverem currículos com erros de português. A internet serve para aprender, então, use-a para aprimorar seu português! Acho um absurdo quem tem acesso a informação e desperdiça seu tempo online com besteiras. Que tal aproveitar sua banda com algo útil?

Mudança com Gatos

Já de apartamento novo em São Paulo, veio a parte mais difícil: trazer os gatos. Não consegui ninguém que os trouxesse de carro para mim, o que seria o ideal, pensando no conforto deles e no meu. Sobravam duas opções:

- Trazer de avião, na cabine
- Trazer de ônibus, junto comigo

Eu JAMAIS traria meus gatos no bagageiro porque acho isso extremamente perigoso. Dito isso, entrei em contato com as companhias aéreas que fazem Rio-São Paulo a um preço acessível, TAM e Gol. A Gol só transporta no porão do avião, então foi descartada. A TAM deixa viajar na cabine, mas é cheia de exigências: cobra R$90 por animal, e além de toda a documentação exigida, e você precisar confirmar o embarque dos animais com a maior antecedência possível, você pode simplesmente chegar lá no dia e resolverem que você não pode embarcar naquele vôo com seus bichos porque algum passageiro não gostou da idéia de viajar com animais ou simplesmente o comandante não quer, depois de tudo pronto e teoricamente confirmado. Simples assim. Realmente não gostei da idéia e decidi tentar outros meios.

De ônibus, o processo é teoricamente mais simples: só podem viajar animais de pequeno porte, eles vão com você, é só apresentar os documentos (carteira de vacinação e atestado de saúde) ao motorista na hora do embarque e eles precisam estar naquela caixinha de transporte de plástico padrão para viagens. Parece simples. O problema é que o veterinário receitou um remedinho tranquilizante pra eles que mal fez cosquinha, e duas horas depois estavam os gatos acordados, dentro de um ônibus, e nós sem ter muito o que fazer. Felizmente o ônibus faz uma parada entre Rio e São Paulo e pudemos dar mais um pouquinho do remédio. Mas houve um acidente na rodovia, passamos duas horas literalmente parados, e de novo os gatos acordaram e não quisemos dar remédio de novo pra eles, sei lá se pode, e foi um sufoco. Resultado, oito horas com gatos em caixas, dentro de um ônibus, depois precisamos pegar um táxi para chegar em casa porque era mais de uma da manhã. Terrível. Conclusão: devíamos ter oferecido dinheiro a alguém para nos trazer de carro com eles. Pelo menos, caso eles acordassem, podiámos dar uma paradinha, abrir um pouco a caixinha e dar um pouco de carinho para eles se sentirem menos desconfortáveis. Mas, caso alguém queira viajar de ônibus com seu animalzinho, saiba que a 1001 aceita sem problemas.

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