Be-a-bá do Capitalismo
Lendo o jornal, acho que preciso explicar noções básicas de capitalismo para as pessoas.
1. Alguns nascem ricos, outros nascem menos ricos, uns nascem pobres, outros nascem miseráveis.
2. A distribuição de renda é injusta. Há muito dinheiro na mão de poucos, e pouco dinheiro na mão de muitos.
Eu nasci na classe média mais-ou-menos. Gostaria de morar num flat nos Jardins - perto do trabalho, com arrumadeira cinco vezes por semana, piscina, sauna, varanda, etc. Obviamente não tenho dinheiro para isso. Com boa vontade, consigo um dois quartos em Moema. Se eu quiser mais que isso, eu vou trabalhar muito para conseguir um salário melhor.
O problema é que as pessoas que nascem pobres reclamam da injustiça social pelo método incorreto. Moram em favelas - habitações ilegais, geralmente construídas próximas de áreas que não podem pagar ou pior, em áreas de proteção ambiental, onde não pagam a maior parte das contas que deveriam, como IPTU, luz, telefone, TV a Cabo, água, pois é tudo feito na base do “gato”, e a ordem não é mantida pela polícia, mas por alguma organização criminosa que se aproveita da desordem das construções para montar seu QG. Ok, nem toda favela é assim, mas sabemos que a esmagadora maioria é. Então, lamento, se você mora em uma favela, você está vivendo ilegal, é cúmplice do crime, e está expondo a si mesmo e a sua família aos riscos de viver numa zona dominada pelo comando vermelho ou algo que o valha. Se seu filho começar a se relacionar com o tráfico, parabéns, você o aproximou disso - ou você acha que dizer que “a polícia é má, só dá dura nas pessoas, os traficantes é que tomam conta disso aqui” não vai causar nenhum tipo de influência numa criança?
“Ah mas eu não tenho outra saída”. Sempre tem. Você pode viver de acordo com seu poder aquisitivo em Nova Sepetiba ou em algum lugar parecido, que seja calmo e mais seguro. Claro que não é o que você queria - viver sem TV a Cabo, no fim do mundo e tal. Mas eu também queria viver nos Jardins. Não pertencemos à minoria rica e precisamos aceitar isso. Bem vindo ao mundo capitalista.
Update: Comments encerrados, estou sem saco para polêmicas. Mas nada te impede de ter um blog.

Ih, não adianta explicar muito.
O mais legal é continuar se fazendo de vítima e se eximindo das responsabilidades enquanto faz gato de tudo, acha legal que o filho tá vendendo um pó por aí pra melhorar a renda familiar, etc.
Bom, também há a questão de que o emprego (e a renda) não são os mesmos morando na favela e morando-se em Nova Sepetiba
Aproveitando: http://vanessaornella.blogspot.com/2008/02/parentesco-e-criminalidade.html
Acho que não é tão simples assim… A gente acaba se deixando levar pelo contexto dentro do qual nascemos e muitas vezes não percebemos nossas opções. Desconfio que tanto vc quanto eu vivemos em nossas favelas e algum dia diremos “puxa! Que idiota! Eu poderia ter feito assim ou pensado assado”.
Também não acho que o pessoal na favela esteja mais perto do tráfico do que uma boa parte do pessoal “rico”.
Favela é uma realidade social que só indo lá dentro, só convivendo com a galera de lá para entender…
> Desconfio que tanto vc quanto eu vivemos em nossas favelas e algum dia diremos “puxa!
> Que idiota! Eu poderia ter feito assim ou pensado assado”.
Se você se responsabilizar pelas consequências de ter vivido na “sua favela” e não ter notado que poderia ter tomado outras decisões, não tem nenhum problema nisso. O problema é quando você espera que os outros resolvam os seus problemas.
…und Heil Hitler!
Que textozinho mais extremodireitista! As coisas não são assim tão preto no branco, também existem os cinzas, aliás, muitos cinzas.
A impressão que fiquei lendo isto é que as misérias da vida pelas quais passam as pessoas que moram em favelas é culpa somente delas e 100% delas. E que se alguém resolvesse exterminar todos que ali moram, na verdade estaria fazendo um grande favor para esses infelizes, expurgando seu sofrimento, e por consequência, um grande favor para os felizardos que ganharam na loteria do nascimento, que não teriam mais que serem torturados com a visão e o cheiro daquela gente torpe e desgraçada.
O que será que leva uma mãe que sabe que seu barraco que está erguido por uma força mágica em uma encosta e que pode desabar a qualquer momento, matando todos os seus filhos, ou que, senão morrerem assim, poderão ter seu último momento trazido por uma bala perdida no meio da testa, ainda insistir em morar neste lugar e não ir pra sua casinha de campo no interior, com sua hortinha bem cuidada e ar puro. Aliás, por que quando acontecem desabamentos onde as familias que sobrevivem após perderem tudo que tinham, ao invés de irem para abrigos viverem como sardinhas, não vão também para suas casinhas no interior, viver na paz e tranquilidade. Por quê?
Será que o que leva uma pessoa a sair do interior e ir pra cidade seja realmente o sonho em ter a tão essencial TV a Gato, internet, blogs, milkshake e tintura pro cabelo, ou seja o sonho de uma vida melhor? Alguns sonham em morar nos Jardins, outros em simplesmente ter água encanada e uma escola pro filho.
Ou algumas pessoas tem direito a essas comodidades trazidas pelo avanço histórico e outras não? Não foi isso que nos disseram quando aceitamos o Contrato Social, onde abrimos mão da liberdade em prol da segurança.
Com relação a parte do texto que diz sempre haver outras saidas, concordo plenamente. Então vou estende-lo: por que os moradores das áreas mais nobres que estão incomodados com tanta violência e desgraça, também não preparam as suas casinhas no interior e mudam-se pra lá. Vão ter até mais condições de levar a TV a Cabo legalmente junto com a Internet Banda Larga.
Também não acho que a solução seja um Estado paternalista, não é por aí. Mas achar um único culpado por todos os problemas é uma solução muito simplista, tão simplista que chega a ser burra.
Acho que escrevi um pouco demais, mas é que este post realmente me deixou preocupado. Você teve noção que escreveu um texto totalmente dentro de um visão fascista de mundo.
Não é a única solução, mas um caminho que resolveria vários dos problemas que estão aqui relatados seria a educação (não me refiro a cursos superiores de como programar em PHP), inclusive ajudaria a todos nós a trocarmos esta lente preto e branco que insistem em nos grudar a cara.
Absurdo é alguém chamar alguém de “nazi’ por falar a pura verdade.
E tu ainda foi bem branda nesse texto.
Tem que ou bombardear esse povo ou esterelizar todo mundo, senão o mundo não tem salvação.
E dane-se os politicamente corretos.
:****
Renata,
seu texto foi muito simplista mesmo e não esperava isso de ti. Mesmo.
Beijos.
Quer dizer então, que morar na favela é sinal de ser uma pobre vítima da sociedade injusta? Desculpe, tenho horror de vitimização. O mundo só anda pra frente quando as pessoas assumirem seus papéis - bons ou não - e fizerem algo a respeito. E fico admirada de você, simone, pensar assim, uma pessoa que ralou até chegar onde chegou defender paternalismo. Nosso mundo não tem mais espaço pra isso.
Renata,
não defendo o paternalismo. Você me conhece há muito tempo para ver que na prática estou bem distante disso. O que defendo aqui e em todo lugar até a morte é o direito de as pessoas serem como são e fazerem suas próprias escolhas. Estive ao seu lado em vários momentos defendendo isso. Você não pode julgar a escolha de ninguém principalmente se não esteve no lugar destas pessoas.
Com toda a autoridade de quem saiu da favela aos 22 anos e se mudou para um conjugado sujo em Copacabana, eu digo isso. Com a dignidade de quem ainda tem família e amigos morando na favela, eu repito isso. Sim, seu texto ofende vários dos seus amigos. Você não tem a menor idéia do que está falando.
Espero que Moema seja mais gentil para você.
Abraços,
Simone
Segundo seus argumentos, a pessoa mora na favela por que quer, não há como negar. As favelas existem porque NÓS precisamos que elas existam, inclusive você.
Exemplificando. Sabe aquele mcdonalds de Ipanema ? Quem vc acha que trabalha alí ? O filho da madame da Vieira Souto ? Claro que não, é um fudido que esteja disposto a ganhar R$ 350,00 pra fritar hamburguer. Onde você acha que esse cara vai morar ? Em Sepetiba como vc sugeriu ? Seria ótimo mas…
Será que o patrão dele iria querer pagar o preço da condução deste nosso eficiente sistema de transportes ?
Será que o patrão dele iria querer contar como os atrasos por causa do trânsito ou porque o funcionário é humano e teria que acordar 4 da manhã todos os dias ?
Qual a consequência LÓGICA (e não paternalista como vc gosta de rotular) disso ? Ele vai morar alí pertinho no Cantagalo e o patrão fica feliz é claro. Nem precisa pagar condução, é só o cara descer pela viela e já está lá.
Se você for analisar a história das favelas no Rio de Janeiro vai ver que 99% delas nasceram dessa maneira. Além do mais, esse tipo de comunidade é curral eleitoral dos políticos desde o Governo Brizola que incentivam a sua expansão para conseguir votos, o César Maia fez e faz isso até hoje.
Será Renata, que você pagaria R$ 15,00 por dia pra sua empregada que mora em Sepetiba ? Se sim, ótimo mas poucos fariam isso e por uma razão simples, porque nós pensamos assim. Porque a gente gosta do caminho mais fácil…
Enfim Renata, é tudo muito complexo e infelizmente para vc é simples…
Eu sinceramente não sei de que capitalismo você está falando. A sua visão sobre esse tema é notadamente atrasada, errônea e desconexa do tempo em que vivemos e da realidade do Brasil.
Engraçado é que ficou parecendo que eu nasci numa família que sempre foi rica. Se vocês querem achar isso, problema de vocês. E só pra constar, eu pago a passagem, e ainda ajudo a pagar uma série de coisas sempre que posso para a família da empregada, do porteiro, etc. Geralmente acho que dependo mais das pessoas que me prestam serviço do que elas de mim. SÓ QUE EU ACHO QUE FAVELA É RUIM PRA MIM E PRA QUEM MORA NELAS - especialmente pra quem mora nelas, aliás. Só que é muito mais fácil pra vocês apontarem pra mim e dizer “huahuahua naziiii” do que tentar realmente entender o que eu estou dizendo.
Eu acredito que vc acha QUE FAVELA É RUIM PRA VC E PRA QUEM MORA NELAS e acredito que vc ajude as pessoas. Por acaso eu disse o contrário ? Só não entendi o porquê de vc achar que as pessoas moram lá pq querem… Vc não entendeu ainda (seguindo o seu exemplo) pq não dá pra morar em Sepetiba numa casa com água encanada ? Céus… Essa sua “saída” não convence Renata.
Na boa, acho que quem tá se fazendo de vítima é você. Minha resposta foi com argumentos lógicos e racionais para contrapor os seus que considero serem completamente equivocados. Em nenhum momento te rotulei disso ou aquilo. Você propôs o debate, então vamos fazer como gente grande. Eu posso parar por aqui sem problema algum se for o caso.
A quem vc se refere quando diz que te chamaram de Nazi ? Espero que o seu “vocês” não me inclua. Se a gente não entendeu o que você disse é só explicar, q tal ?
“E só pra constar, eu pago a passagem, e ainda ajudo a pagar uma série de coisas sempre que posso para a família da empregada, do porteiro, etc”
Nossa, como você é bondosa.
Eu tive uma amiga que virou fascista… Uma coisa horrível… Se quiser te passo em pvt o blog dela. Ele é fundamentalista, ultra-direita, fascista, católico e realmente este seu post ficou com um tom bem parecido, sabe?
Vou fugir de entrar em detalhes sobre a realidade de quem mora na rua, em favelas ou em lugares piores porque é muito difícil para nós bilhionários (a gente é fantasticamente rico diante de boa parte destas pessoas) realmente entrar no mundo destes outros brasileiros, mas ainda outro dia esbarrei com duas crianças na praça, viraram moradores de rua para fugir de uma vida pior do que a da rua ao lado dos pais em uma favela, mas não se apresse em julgar… Para alguns é menos ruim viver na favela do que na periferia.
Pense como vc mesma percebeu a dificuldade em mudar de cidade e multiplique por 100, talvez por 1.000 para dimensionar a dificuldade de algumas destas pessoas.
Estou me sentindo lendo os comments do Globo. Depois as pessoas não entendem porque eu desprezo a humanidade e quero um mundo dominado pelos golfinhos, cachorrinhos e gatinhos.
Eu já me sinto numa roda gigante de déjà vu. Em vários (pra não dizer todos) dos seus textos você fala o que quer, mas raramente gosta de ouvir o que não quer. Costuma vir com pérolas como “comments do Globo” e, o mais clássico de todos que é bastante usado, “vocês não entendem” ou “ninguém entendeu o que eu disse”. Talvez se você pensasse duas vezes antes de escrever bobagens ajudasse alguma coisa, aí não precisaria ficar falando mais bobagem ainda só pra tentar defender o que disse sem raciocinar direito, pela simples motivação de TER que defender o que falou à todo custo.
Você falou merda, defendeu merda e postou mais merda depois pra se justificar. Sendo que o mais fácil teria sido pensar duas vezes antes e argumentar melhor, ou sempre aceitar opiniões contrárias às suas sem dar chilique.
Você provavelmente nunca foi em uma favela, deve no máximo ter espiado para uma da janela de algum prédio.
Digo isto pro que se tivesse estado em uma, sentira a clima, a energia, a tensão a dificuldade e a vontade, aliás vontade não, o SONHO de cada morador que ali vive, que é justamente o sonho de SAIR daquele lugar. Estes morados tentam TODOS os dias conseguir algo melhor para sair da favela.
Sua amiga ali comprova, saiu da favela e foi morar em COPA em um lugar sem conforto, mas pelo menos ela conseguiu sair da FAVELA e suas mazelas sociais e criminosas.
É um sonho bem simples, eles querem voltar para cara sem temer o tráfico, sem ter medo de morrer por uma bala perdida, sem sofrer extorsões diárias, sem temerem que seus filhos e filhas sejam violentados ou massacrados por traficantes “pirados”, eles querem viver em um lugar que não causa risco para seus filhos, que não tenha desabamentos, como o IVAN citou, por afinal eles não querem chegar e encontrar seus familiares “soterrados”.
Os filhos, vendo a situação, inconformados com a desigualdade social, com a realidade da favela comparada com a realidade do asfalto, dos playboys da classe média, dirigindo seus carros com vidro fechado, no ar-condicionado, vivendo em um mundo fora da realidade do mundo, enquanto ele o pobre, o miserável, fica olhando atônito uma realidade que ele dificilmente vai viver, agora pense que as pessoas que passam perto o vêem vestido com roupas velhas, gastas, e se afastam com medo ou mesmo dizem que não tem dinheiro, isto sem ele nem mesmo ele ter pedido alguma coisa para elas.
Isto acontece todos os dias, em todas as grandes, médias e pequenas cidades do Brasil.
Este filho indignado, revoltado com a situação opressora radical e racista que vive, fraqueja, ao ver a mãe lavando, limpando, trabalhando em casas de classe média, saindo 4 da manha de casa e chegando 23 horas, todos os dias e não consegue nem ao menos colocar comida de forma digna na mesa e os filhos em escola segura e eficiente, este filho então fraqueja ao ver a mãe chorar todos os dias, com as mãos esfoladas de tanto lavar roupa, cansada e sem domir direito.
São estas as horas que o crime organizado aproveitam a chance e os transformam em “soldados” do crime, primeiro seduzindo-os com a possibilidade de melhorar a vida em suas casas, com a possibilidade de ajudar seus pais e mães, depois começam um processo de lavagem cerebral, regada a coquitéis de drogas para ele perder a noção do certo, do errado, transformando-o em soldados/zumbis do tráfico e do crimes organizado, sepultando um filho de uma mãe de de um pai que um dia já foi um criança boa que poderia ter um futuro melhor se tivéssemos um país mais justo.
Agora me responda, como uma mãe ou um pai, que trabalham 15 horas por dia conseguem se mudar para uma casinha no campo, linda sem problemas, afinal no campo é tudo cor-de-rosa, lá tem emprego, edução, salários justos, moradia digna, se nem comida da mesa eles dão conta de colocar?
Desculpe-me se estou sendo duro, mas sua avaliação do mundo é realmente imatura e até infantil, ofende muitas pessoas, é realmente simplista.
[]’s
bem caros amigos,, nunca vivi em favelas ,, nunca fui miseravel,, ja passei por dificuldades,,e nos meus curtos 37anos,, constatei o seguinte, a vida é feita de escolhas,, e todos temos de pagar o preço pelas nossas escolhas,,, e infelizmente nem todas as pessoas tem esta conscienencia ,,, no meu entender isso que falta as pessoas como um todo , e a renata acredito que quis dizer isso,,