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Burguesia

Muita gente vem me chamando de burguesa, rica, etc, e me criticando porque eu corrijo o português alheio. Deixe-me explicar um pouco da história da minha família.

Meu avô Dario e minha avó Paulina, filhos de imigrantes italianos, não concluíram o ensino fundamental. Nasceram em Volta Grande e Barracão de Baunilha (atual distrito de Colatina) de onde vieram pro Rio com os filhos bem pequenos – minha mãe tinha meses de nascida – para tentar uma vida melhor, e ralaram muito, muito mesmo, até conseguirem uma casinha própria, um quitinete em Botafogo. Meu tio e minha mãe tiveram a oportunidade de estudar na época em que o ensino público ainda era decente por aqui e entraram para boas faculdades. Minha mãe virou médica, e meu tio engenheiro. Eu nasci em dezembro de 1979 e minha mãe se separou do meu pai em janeiro de 1983, e daí por diante eu passei a dividir um apartamentinho de 50 metros quadrados em Botafogo, com minha mãe e minha avó. Obviamente eu comecei a trabalhar cedo para poder pagar minhas próprias contas e tentar sair de casa o mais rápido possível. Logo, sou riquinha e burguesa porque meus avós, minha mãe e eu trabalhamos duro para eu ter o que tenho hoje.

Sobre o lance do português, eu sempre fui a melhor aluna do colégio, e procurava os professores para tirar dúvidas sempre que possível. Tive sorte de ter ótimos professores de português, mas acho que escrever bem é obrigação de qualquer pessoa. É seu idioma, se não te ensinaram direito, corre atrás e aprende. Sua vida vai ser prejudicada se você não fizer isso, é um conselho BOM que eu estou te dando. Se eu ficasse calada enquanto você escreve errado, eu estaria sendo má com você – é mais ou menos como ver alguém batendo sua carteira e não falar nada. Pessoas perdem oportunidades de emprego todo dia por escreverem currículos com erros de português. A internet serve para aprender, então, use-a para aprimorar seu português! Acho um absurdo quem tem acesso a informação e desperdiça seu tempo online com besteiras. Que tal aproveitar sua banda com algo útil?

23 Comments

  1. Olá Renata. Concordo com você.
    Infelizmente no Brasil as pessoas dão mais valor a quem fala errado, a quem é pobre porque é um coitado que não teve oportunidade na vida e ficam passando a mão em sua cabecinha.
    Ora bolas, se a pessoa tem dinheiro ou não, se sempre trabalhou é merecedora do que tem, não importando se é muito ou pouco.
    Mas vivemos no país em que todos se orgulham de ter um presidente analfabeto e que faz questão de continuar assim. Belo exemplo esse! O que mais podemos esperar?
    E escrever corretamente o próprio idioma fazer parte de uma coisa: CULTURA, que em nosso país é deixado em segundo plano.
    Parabéns pelo teu blog, já acompanho tem um tempinho.
    Abraços.

    Olha, eu só achei ruim no seu comentário a questão do “presidente analfabeto”… Já nos orgulhamos de ter um presidente que estudou na Sorbonne e isso não reflete a educação do povo que o elegeu . Não é tão simples assim. E longe de mim defender qualquer um dos dois, não votei em nenhum deles

    Posted on 24-mar-08 at 12:38 pm | Permalink
  2. klayson

    Engraçado. Acompanho seus posts já há algum tempo (via nerds.valeta.org) e hoje descobri que você, assim como eu, tem suas origens em Barracão de Baunilha. Mundinho realmente pequeno.

    Mas o mundo É pequeno! Eu já tive um colega de trabalho com família de lá também. Qual o nome da sua família? Minha bisavó era Maria Segrini.

    Posted on 24-mar-08 at 2:13 pm | Permalink
  3. Ops. Usei a questão do presidente somente para exemplificar. Pois no meu entender hoje, no Brasil, se falamos e escrevemos corretamente e tentamos passar isso adiante somos criticados por isto.

    Ah, agora entendi o que você quis dizer!

    Posted on 24-mar-08 at 3:04 pm | Permalink
  4. Gustavo

    É inútil insistir que você foi insultada pessoalmente quando alguém comenta que sua visão está errada, ou que a visão de quem comenta é diferente. Estas são atitudes de verdadeiros PERDEDORES.
    Vai um chocolate?

    Ganhei vários chocolates, obrigada. Já se olhou no espelho hoje?

    Posted on 24-mar-08 at 3:18 pm | Permalink
  5. Anti-Fascista

    Fala a verdade, amiga… só escreveu um post sobre sua família e com título “burguesia” pra se redimir dos besteirol daquele texto sobre morar na favela. Não colou…

    Fala a verdade, amigo, você só ia ficar feliz se eu dissesse que compro roupas na Daslu e queimo mendigos por hobby aos sábados

    Posted on 25-mar-08 at 9:24 am | Permalink
  6. Liesl, no trampo

    Amiga, a verdade eh que sempre fui criticada pelas mesma razoes. Meu avo so tem ate a 3a serie primaria, e olha que fala e escreve muito bem (sempre leu muito). Ralou pra kct pra alimentar, vestir e botar um teto sobre os filhos. Meu pai e minha mae ralaram muito ate conseguir a casa propria, pagar escola pra gente, etc. Meu pai viajava a trabalho p/ o exterior e trazia uma Barbie nova ou algum brinquedo novo pra mim. Os vizinhos me taxavam de rica (inveja eh uma m…). Eu e minha irma sempre fomos excelente alunas, e eu sou super rigorosa quanto ao que eu escrevo. Se eu nao tenho certeza que estou escrevendo corretamente, eu mudo a construcao da frase ou uso sinonimos (sei que nao sou perfeita, e ja estou fora do Brasil ha quase 9 anos). Nao precisa ficar estudando oracao subordinada x e y pra escrever direito (eu sempre ODIEI gramatica mas sempre escrevi bem). Basta ler muito. E como vc disse, infelizmente o pessoal usa o tempo na net para ler bobagens e escrever miguxes. Investir em um dicionario tb ajuda.

    Detalhe: cheguei aos EUA com 21 anos e ingles afiado pra descobrir que o povo aqui tb nao sabe escrever direito.

    (desculpe escrever sem acento e na correria, estou no trabalho)

    Posted on 25-mar-08 at 10:56 am | Permalink
  7. Thiago Costa

    Bom eu não posso falar nada também, pq eu sou horrível no português, pra falar a verdade português era a matéria mais chata do colégio. Pode corrigir, mas só não pode chegar ao ponto de ser chato. Tinha um cara aqui na empresa assim, cara tinha o português obsolutamente correto, cara ficava corrigindo erro de gramática, mas era muito chato. Pior de tudo que ele era o técnico de eletrónica aqui da empresa, tava cursando engenharia, mas em compensação a parte de lógica da carinha deixava a desejar, o que é fundamental pra quem cursa engenharia, sempre me perguntava pq o infeliz estava cursando engenharia.

    Posted on 25-mar-08 at 5:46 pm | Permalink
  8. nunca fui o melhor aluno do colégio, mas concordo: falar/escrever corretamente é obrigação, sem exceções, não consigo pensar de outra forma. uma coisa que eu acho particularmente paradoxal nesse assunto é adolescentes que falam “axim” e escrevem atrocidades nos blogs e fotologs da vida, quando eles são os que supostamente possuem mais acesso a educação e a melhores condições de vida, já que possuem computador e acesso a Internet… já vi gente que faz mestrado escrever um email grotesco, com 1 erro a cada 5 palavras, só me deu foi pena do sujeito :P

    Posted on 25-mar-08 at 7:15 pm | Permalink
  9. Burguês sou eu que tenho senhores feudais na linhagem por parte de pai e barões do aipim por parte de mãe ;-) É verdade…

    Com a revolução russa e o fim do ciclo do aipim as duas famílias ficaram pobres (na geração dos meus avós), mas começou a se recuperar na geração do meu pai.

    Eu não acho que ter dinheiro implique em ter um comportamento burguês e riquinho, nem acho que você tenha estas características (apesar do famigerado post da favela! Hahaha!)

    Quanto a corrigir o Português corrige; mesmo! E com crueldade sempre que a vítima for do tipo que tem orgulho de escrever e falar errado! Eles merecem! ;-)

    Posted on 27-mar-08 at 9:00 am | Permalink
  10. Sofia

    Concordo plenamente com você sobre corrigir português.

    O problema não é você ser riquinha ou não, o problema é a visão simplista e completamente fora de contexto exposta no post da favela.

    E esse post… Não acho que seus avós e mãe terem trabalhado duro para conseguir o que conseguiram fazem de você menos “riquinha” ou “burguesa”, a ponto de entender o que é sofrer como quem sofre na favela.

    Com quantos anos você foi à Disney?

    Não quero bancar a chata, mas cada vez que eu entro aqui a coisa tá pior!

    Então, minha filha, não entra mais! De blogs, a internet está cheia! Sério, não aguento gente que vem aqui só pra reclamar.

    Posted on 27-mar-08 at 3:24 pm | Permalink
  11. vc da corda para imbecis Renata, no seu lugar, ao inves de escrever um post me justificando, como se trabalhar e escrever correto fossem algum tipo de pecado eu simplesmente mandaria catar coquinho e/ou a merda.

    Quer saber? Você está coberto de razão :D

    Posted on 27-mar-08 at 7:30 pm | Permalink
  12. Opa Renata!

    Vou me ater a este texto, embora, pela leitura dos comentários parece que a coisa remonta a outro texto…

    Acho que escrever bem não é uma prerrogativa da burguesia (é até um preconceito isto) qualquer classe social deve escrever bem!

    Por outro lado, acho que devemos relativizar o uso da norma culta, pois o mais importante é que ocorra a comunicação!

    Não me entenda mal! Vai fazer um documento, um currículo, um artigo, uma documentação, etc. use a norma culta, revise o texto etc…

    Via escrever informalmente no mensageiro instântaneo, preocupe-se em estabelecer uma comuicação!

    A capacidade de uma pessoa não pode usar como única métrica o uso da norma culta! Este é o ponto!

    abraços

    Posted on 29-mar-08 at 8:22 am | Permalink
  13. Anti-Fascista

    Sérgio, agora é a parte em que ela diz “viu? mais um que leu e não entendeu o que escrevi… eu falei justamente isso!”

    Não, agora é a parte onde eu digo que o burguês aqui é você, que passa seus dias bancando o troll no blog alheio ao invés de trabalhar. Seus próximos comentários serão sumariamente deletados com imenso prazer, porque sou eu quem pago por esta hospedagem. Tchauzinho!

    Posted on 31-mar-08 at 9:57 am | Permalink
  14. ANDREA VIANA TRINDADE

    Olá!! Adorei tudo. Sem comentários. Gostaria imensamente de me corresponder com você…

    Posted on 01-abr-08 at 10:43 am | Permalink
  15. Thiago

    Não concordo que seja dado mais valor a quem fala português errado. A “norma culta” é uma forma de exclusão social. Só sobe de cargo quem sabe escrever bem.

    Na época do império essa segregação era usada para perpetuar a elite (que estudava em Coimbra ou nas faculdades de Direito de São Paulo e Olinda). Os “estudados” saiam da faculdade e iam ocupar cargos públicos – o Brasil sempre foi de sustentar sua elite através da política – enquanto os analfabetos, 90% da população, não tinham acesso a norma culta e desenvolveram seu próprio modo de falar.

    Creio que o erro está em supor que aqueles que usam a norma culta são superiores intelectualmente. Isso pode ser verdade a maior parte do tempo, mas não sempre.

    Quanto a corrigir o português alheio, acho nobre e louvável. Mas também acredito que dependendo de como isso for feito alguns relacionamentos podem ser deteriorados.

    Se você deixar claro que está preocupada em evitar que a pessoa tenha prejuízos no futuro, e mesmo assim ela não entender… bem, talvez você não precise mesmo da amizade dessa pessoa

    Posted on 02-abr-08 at 11:19 am | Permalink
  16. Maria Souza

    e4i, você não deveria escrever “Português” sempre com a inicial maiúscula? :D

    Se a Academia Brasileira de Letras não escreve “Português” com inicial maiúscula, nem “Língua Portuguesa”, eu deveria? Mas, por via das dúvidas, vou escrever para eles para checar se a norma culta tem alguma regra em relação a isso.

    Posted on 03-abr-08 at 5:04 pm | Permalink
  17. Estava navegando aqui quando reparei duas palavras muito conhecida :) Volta Grande … Esta cidade que esta se referindo é uma cidade de Minas Gerais? Próxima a Leopoldina ? Bom é que moro em Além Paraíba, e esta cidade é proxima a minha também, me referi a Leopoldina por ser mais conhecida que a minha , fiquei curiosa pela coencidência.

    O mundo é pequeno sim! Volta Grande, ali do ladinho de Além Paraíba, é isso mesmo. Vários tios-avôs meus nasceram em cidades próximas, na chamada zona da mata mineira. Meu bisavô trabalhou na linha férrea, na época em construção, e foi migrando pelas cidades da região até se estabelecer em Resplendor, onde minha mãe nasceu.

    Posted on 05-abr-08 at 12:05 am | Permalink
  18. Escrever nomes de idiomas com a inicial em maiúscula é regra da língua inglesa (e provavelmente de outros idiomas), não da portuguesa =).

    Posted on 07-abr-08 at 3:33 pm | Permalink
  19. maria souza

    …informou (corretamente) Rafael CP, compositor aspirante?

    Posted on 10-abr-08 at 1:36 pm | Permalink
  20. Rodrigues

    Oi Renata! Desde já desculpe-me pela liberdade que vou tomar ao responder aqui sobre o teu post “Be-a-bá do Capitalismo ” mas é que vc o fechou para comentários e eu fiquei doidinha para te dar um exemplo. Vc pergunta porque a pessoa prefere morar na favela do que em algum lugar do interior. Vamos lá. Eu mesma saí do Brasil e moro na Europa. Resolvi comprar uma bela casa com um baita terreno, piscina, churrasqueira e etc no Brasil para aproveitar e passar férias quando venho visitar a minha família. Como queria um terreno bem espaçoso andei procurando terrenos, sítios, chácaras. ÚNICA exigência era estar num local de natureza exuberante. Podia ser no interior dos cafundéus o que eu queria era mato mesmo com chachoeira, um bom local para se ter um estábulo etc. Justamente o contrário do pobre que sai do interior e vai para as favelas. Problemas que encontrei: falta de rede elétrica, falta de água encanada, falta de sistema de esgoto… Além destes pequenos probleminhas :) caso decidisse me aposentar e ir morar na minha mansão no meio de nenhum lugar eu ainda poderia ter problemas por estar distante de hospitais. Claro que recursos eu teria para viver lá sem trabalhar afinal andei fazendo bons investimentos. Mas imagine morar lá sem dinheiro. Eu não teria condições de realizar a manutenção da casa e acabaria morrendo de fome. Agricultura e pesca? Subsistência? Quem sabe? Afinal meu terreno seria grande o suficiente para plantar alguma coisa e se tivesse um rio cheio de peixes eu poderia pescar.
    Agora imagina um cara que saiu de lá do interior e veio pra favela da cidade grande.
    Ele tem terreno? De qual tamanho? É terreno fértil, dá pra plantar? Caso negativo: ele conseguirá emprego lá no meio do mato? Sem emprego e sem poder viver de subsistência comerá o que? Terá hospitais por perto? Terá eletricidade? Terá saneamento, água encanada?
    É tão fácil dizer para os outros: “Miseráveis, saiam da favela e voltem para o interior”
    Se nem eu com a grana que estava disposta a investir num paraíso para as férias arrumei jeito de me instalar no interior onde queria, imagino estas pobres criaturas!
    Queria só te mostrar a situação vista sob um outro ângulo. Gostei muito do teu blog. Na verdade gostei muito do teu jeito espontâneo de escrever e dizer o que se passa em sua cabeça sem medo de críticas ou de discussões. Espero que me desculpe por ter respondido em local errado. Abraços

    Que interior você tentou? Quando me refiro a interior digo não-capital. Conheço pessoas que trocaram a capital por excelentes cidades do interior onde existe toda a infra-estrutura, só que sem os problemas de violência, trânsito e poluição das capitais. Basta escolher se você prefere serra ou praia. Meu tio viveu mais de 10 anos em Nova Friburgo, interior do Rio, uma cidade ótima, clima maravilhoso, minha prima se casou e mora por lá até hoje. Recomendo

    Posted on 12-abr-08 at 10:20 am | Permalink
  21. Bernard

    A sério! Adorei mesmo o que escreveste!

    Posted on 23-abr-08 at 1:53 pm | Permalink
  22. uma menina que passava

    Desculpa, não tem a ver com o post, mas não resisti: meu pai nasceu em Barracão de Baunilha! Família italiana também. Esse nome sempre foi motivo de brincadeira lá em casa, pela bizarrice. Adorei encontrar essa referência aqui. :)

    Posted on 05-mai-08 at 9:33 pm | Permalink
  23. keiliane

    oi achei muito legal a sua historia viu

    Posted on 13-out-08 at 10:47 am | Permalink

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