Já disse que tem um monte de razões, mas todo dia vejo nos meus feeds de notícias alguma coisa que me lembra o quanto do Brasil eu não quero nem o pó. A última, que merece post histericozinho, é essa notícia que o Supremo Tribunal Federal está votando a descriminalização do aborto de fetos anencéfalos. E tem um rio, um mar de instituições protestando POR ISSO, como se fosse um grande drama.
Tem vários lances errados acontecendo aí. Em primeiro lugar, o que mais me incomoda, é que a essa altura do campeonato, o Brasil já deveria ter amadurecido o suficiente em respeito a direitos da mulher para estar discutindo, e votando, a legalização do aborto. Mas nãããão. Não são nem capazes de falar “aborto” quando querem defender o ponto de vista nas notícias, usam o eufemismo “interrupção da gravidez”. É aborto sim. E é um direito de qualquer uma que fica grávida. Não é problema meu nem de ninguém. Se alguém é contra aborto, beleza, não faz, né? Mas deixa o serviço lá disponível pra quem precisar. Que encheção de saco, mania de se meter na vida alheia.
Em segundo lugar, daí que a mulher ficou grávida e descobriu que o feto tem anencefalia. Acontece. Isso significa que ela vai carregar por meses um feto que ou vai morrer durante a gravidez ou vai morrer logo após. Em casos muito raros, vivem um pouco mais que isso. A lei lá é pra permitir que a moça tenha a possibilidade de abortar se quiser. Se ela quiser sofrer e ver como é um feto anencéfalo (sei lá, tem gente masoquista) e enterrar o natimorto, e curtir sofrimento pós-parto, problema dela também, não tenho nada a ver com isso. Mas se ela quiser evitar isso tudo, ELA VAI TER ESSE DIREITO SEM MUITO STRESS. Mas a bandinha de pessoas que se metem na vida alheia está lá, de pé, patrulhando, e querem obrigar essas moças a curtirem o sofrimento de uma gravidez que vai resultar em um natimorto, mesmo que elas não queiram isso.
O fato é que o Brasil é demasiado machista e se importa demais com a vida alheia. Essas duas coisas combinadas resultam em leis retrógradas e muito atraso social. Como melhorar isso? Eu honestamente não faço idéia. Acho que só com muita educação, e a educação no Brasil vai de mal a pior, então eu vejo um futuro PÉSSIMO nesse aspecto. Eu não acredito no futuro do Brasil. Eu vejo a sociedade puxando o país para trás, pra um conservadorismo que deveria ter sido esquecido. Ignoram fatos, se prendem a dogmas.
O Brasil se parece cada vez mais com aqueles Estados ali ao Sul do Canadá, sabe…
Oi Renata.
Esse texto tem detalhes sobre a gravidez de anencéfalo que eu nem fazia idéia:
http://drauziovarella.com.br/saude-da-mulher/depoimento-de-quem-ja-viveu-gravidez-de-anencefalo/
;)
Por outro lado, o Supremo liberou o aborto nesse caso, os grupos que eram contra protestaram pacificamente, a imprensa noticiou tudo… o sistema funcionou, não? Estaria errado se o supremo cedesse à pressão de minorias fundamentalistas ou o debate fosse coibido ou qualquer coisa do tipo.
Mais umas 30 decisões como essa e estaremos prontos para deixar o século 19, woohoo.
Estamos em 2012. Quando saí da faculdade em 2007 este tema já deixava os juristas de saco cheio de tanto que foi falado e discutido. Mas sempre cada um puxa a sardinha para seu próprio lado e suas questões pessoais, na maioria das vezes preconceitos religiosos dominando questões de saúde pública. Enquanto quem tem dinheiro paga aborto em clínica cara e saí vivo e quem não tem apela para o fundo do quintal e quando sobrevive fica com sequelas.
Isto é uma questão de saúde pública e de opção pessoal e não de limitar direito alheio por preconceitos. Querem que a criança nasça mas e depois? sem educação decente, sem saúde decente, sem perspectiva de ser o que quiser ser… enfim, no Brasil tudo é mais complicado.
Não sei dizer quantos textos já lí sobre o tema. Esta é a parte chata de estudar direito, pois muitas vezes uma decisão dita importante ou é muito boba ou simplesmente complica demais uma informação para esconder um preconceito ou uma questão meramente econômica. Ter um pensamento crítico muitas vezes é ruim nesta área e infelizmente 95% das pessoas nunca param para refletir deste modo.
Errr… só vim escrever por achar que a sua opinião é do que qualquer pessoa que diz estudar o tema e na verdade ficam namorando decisões sobre o tema e sublinhando onde a opinião alheia bate com a própria, para ficar bonito em uma tese ou dissertação.
clap clap clap!