Oh, a desilusão

Já que minha possível viagem pra Alemanha e Holanda terá que ser adiada por tempo indefinido por questões de trabalho, eu queria ter uns mil e alguns reais sobrando – mas sobrando *MESMO*, depois de quitar o cartão e comprar sapatos novos que os meus estão destruídos e precisam ser jogados fora – para comprar um violoncelo. É, um violoncelo. Deixa eu explicar: eu sempre quis aprender a tocar um instrumento, mas a única coisa que eu estudei – e mesmo assim por um período ridículo de tempo há 15 anos – foi piano, e eu acho piano chato. Eu gosto de instrumentos acústicos, de tons graves e de cordas, o que me traz grande simpatia por violoncelos e contrabaixos. O problema é que um contrabaixo é grande demais pra alguém do meu tamanho, então só me restam os violoncelos. Mas mesmo um básico pra iniciante custa na casa dos mil-e-algo. E eu não acredito em estudar música usando o instrumento alheio (aliás, agora me ocorreu uma dúvida, será que tem que inverter as cordas do cello para um canhoto tocar, que nem se faz com violão e afins?), é mais ou menos como estudar informática com o computador alheio, então eu acredito que é mais fácil pra mim ser auto-didata com meu próprio cello que ter aulas no cello dos outros (ui!). Mas para testar isso, precisaria, antes de tudo, do cello. Ou melhor, precisaria, antes de tudo, de mil e alguns reais.

Eu fico impressionada como estudar música é um luxo para elites abastadas…

Related posts:

  1. Monty
  2. Oh, Dúvida

7 thoughts on “Oh, a desilusão

  1. Não acho o comentário do Luiz tão obtuso assim. Um pouco exagerado, talvez.

    A separação de classes muitas vezes é só abstrata, mas ainda é muito forte. A cultura da pobreza é muito forte. Pobre, quando almeja qualquer coisa melhor e tida como “de gente rica”, é logo reprimido pelos outros pobres. Pode até ser visto como uma espécie de “traidor” da classe, ou algum idiota que não “conhece o seu lugar”.

    Imagine o cara que mora na favela ouvindo uma peça de Brahms ou Tchaikovsky em volume alto. Tem gente que vai gostar, mas muita gente vai torcer o nariz. Se ele botar um pagode ou funque bem fuleiro no talo, ninguém vai estranhar. Então, o que ele vai pôr na vitrola ao receber a visita dos primos e sobrinhos no fim de semana?

    Enfim, o peão tem toda a liberdade para escolhero que quer ouvir, mas é grande a pressão da comunidade pro cara se conformar com o mau gosto da maioria. Muito dos nossos gostos e valores são moldados pela sociedade. Isso é comprovado cientificamente. Noções de medo, alegria, nojo, tesão e até poesia são adquiridas em contexto. Querendo ou não, o que os outros pensam importa muito, em efeito cascata.

    E se essa maioria, mais os meios de comunicação, não cultuam música clássica (ou muitos outros gêneros), onde o cara que é pobre de marré vai conseguir informação e ampliar seu repertório? Na loja de discos? Sem dinheiro? Na Internet? O que é Internet? Com seus amigos, que só ouvem pagode ou trilha de novela? Com seus parentes, que assistem ao Domingo Legal? O cara acaba se conformando em ouvir o que estiver tocando por aí mesmo, seja lá o que for.

    E assim se cria o gosto musical das novas gerações.

    O ser humano é uma merda.

  2. Eita! Que esse tal de Luiz fez um dos comentários mais obtusos que eu já li em toda minha vida! Sugiro dar uma passadinha pelo Municipal em dia de concerto popular ou então nas apresentações gratuitas da orquestra (agora não me lembro se sinfônica ou filarmônica, mas enfim…) em lugares como o Forte Copacabana ou a Quinta da Boa Vista. Vai ver muita gente “pobre” ouvindo, prestando atenção e gostando muito. Bom gosto não se compra, amigo.

  3. Luiz, existem luthiers que fabricam instrumentos para canhotos sim, só que é caro.
    E sim, conheço pessoas pobres que gostam do pouco que escutam em música clássica (geralmente a trilha sonora do metrô) e gostariam de aprender música, mas não têm dinheiro pra isso.

  4. você devia aprender a tocar flauta. é mais barato, mais fácil de transportar, também tem tons graves, etc. e diminui o risco de você ser trucidada por vizinhos…

  5. Outra coisa… você conhece alguma pessoa pobre que escuta música clássica e tem interesse em tocar oboé ou algo do tipo? Memso que um cello custasse 100 reais, o interesse pelo instrumenot não iria aumentar tanto assim.

  6. Não existem instrumentos para canhotos na música clássica. Ninguém inverte cordas em cellos, violinos e afins, da mesma forma que ninguém o faz com teclados de piano. É só assistir a um concerto e você vai perceber.

  7. A maioria dos canhotos inverte a ordem das cordas. O Egard Scandurra é famoso, entre outras coisas, por ser canhoto e tocar guitarra com as cordas na posição convencional. Autodidata, é claro.

    Tudo é possível.

Comments are closed.