Pensar cansa
De um sujeito no metrô, uns meses atrás: “Ele fez tanta merda que um dia vai acabar cometendo harumaki”
De uma recepcionista de salão, essa semana: “Daí você manda fazer o esmalte na farmácia de manipulação com o PHD da sua unha”
Eu também tinha uma manicure que dizia “unha cortiça” ao invés de “unha postiça”, mas isso tem muitos anos. Mas todos os casos têm uma característica em comum: o autor da frase ouviu o galo cantar, mas não sabe onde, e ao invés de perguntar, saiu falando por aí. Certamente o cara do harumaki ouviu alguém falando de harakiri e confundiu com o nome nos cardápios de comida japonesa, assim como alguém disse pra recepcionista do salão ouviu dizer “PH” e confundiu com “PHD”, mas saiu usando sem nem perguntar o que diabos é PH. Ou a manicure que nunca se preocupou em pensar que uma unha não pode ser de cortiça, mas ela pode ser postiça. Tudo isso é uma coisa só: repetir sem pensar. Agora chega de divagações sobre a preguiça de pensar que as pessoas parecem ter, porque preciso visitar vovó - que completa hoje 87 anos, está lúcida até demais e finalmente parou de dizer que “vai morrer cedo”.


Discordo, Renata. A manicure não pode pensar que a unha não é de cortiça e sim postiça porque ela simplesmente *não conhece* a palavra “postiça”. A mesma coisa vale para o PhD da unha: a recepcionista nem imagina que exista algo como PH, nem tem idéia do que é um PhD. Não é questão de ouvir galo cantar e ter vontade de ir perguntar, e sim de educação.
Quanto ao harumaki, isso me lembrou muito uma tirinha da Mafalda, em que alguém diz que o cara cometeu ikebana, e vem alguém e diz que ikebana é arranjo de flores, e aí vem alguém e diz que harakiri é que é arranjo de flores. Ou algo assim. Tadinho do cara, ele só se confundiu.
Um beijo,
Pablo, em defesa dos fracos e oprimidos ;)
Eu concordo com você que a menina do salão não sabe o que é pH nem PhD, e exatamente por isso ela deveria ter perguntado quando ouviu. Mas somos acostumados a não perguntar para “não parecer ignorante”, e dessa forma cultiva-se a ignorância - se você não pergunta, vai continuar sem saber. O mais curioso dessa manicure que falava “unha cortiça” é que ela sabia sim que existia a palavra “postiça”, eu a ouvi falando uma penca de vezes… mas nunca parou pra pensar que a unha podia ser “postiça”.
Eu acho isso muito engraçado, principalmente quando é intencional, feito com objetivo de humor. No meu blog eu tenho uma biografia fictícia que foi descaradamente copiada fortemente inspirada em um texto da década de 80 (ou começo dos 90) que já falava em praticar origami full-contact. Parece algo tão bobo, mas quando eu vi pela primeira vez ri pra caramba.
A diferença do cara ali que vai cometer harumaki é que ele faz sem querer. Mas permanece engraçado ;-)
Esta estória toda me fez lembrar de outra história: eu estava conduzindo (em meu carro) um rapaz de aproximadamente 17 anos, e ao passar pelo túnel novo (botafogo/copacabana) ele comentou que era uma vergonha aquelas pessoas (na verdade ele citou a palavra “mendigos”) tomando banho na boca do túnel (lado botafogo).
Eu poderei com ele: imagine que estas pessoas foram criadas em lares onde lhes deram educação, noções de higiene, etc. Elas moravam longe e trabalhavam por aqui. Como o dinheiro era pouco para a passagem, dormiam na rua durante a semana e iam para suas casas nos fins de semana.
Belo dia perderam o emprego e a condição de voltar para suas casas ou simplesmente de mantê-las. Então ficaram por alí na tentativa de nova oportunidade.
Perguntei ao rapaz: Imagine vc sendo dono de uma empresa, e lhe chegando um candidato a emprego, ao se lhe perguntar sobre seu endereço, ele lhe respondesse que mora na rua. Voce daria o emprego a esta pessoa?
Ele disse: é claro que não!
Então arrematei: estas pessoas entraram num círculo viciso: não tem emprego porque não tem moradia fixa. Não tem moradia fixa porque não tem emprego.
Apesar de terem educação, saberem ler, ter noções de higiene (e tomar banho prova isto, mesmo que em plena boca do túnel novo, zona sul do rio), não conseguem ser recolocados no mercado de trabalho, então para não virarem bandidos, catam papeis, fazem pequenos serviços, etc.
O que eu fiz ao rapaz que conduzia foi dar a oportunidade de enxergar de outra forma a mesma “figura”.
O copo está quase cheio ou o copo está meio vazio? A resposta está na cabeça de cada um.
grande abraço.
eu trabalhei num jornal aqui de porto alegre e tinha um motorista que dizia várias dessas! lap top era leve-toque, mc chicken era mac chic. uma vez eu eu uma colega tínhamos que entrevistar pessoas na rua e ele teve que ficar esperando no carro. demorou um pouco e quando a gente voltou ele reclamou que a gente não sabia abortar as pessoas!! mas a frase clássica dele é “tô juntando grana pra pagar uma leptospirose pra nega…”, ao invés de lipoaspiração. de qualquer forma, a nega ía ficar pele e osso…
e ai de quem tentasse corrigí-lo!!
o pior não é não saber o que está dizendo, é não querer saber.
É exatamente disso que eu estou falando Lau. O problema não é não saber o que não está dizendo, mas não querer saber. Adorei o “pagar uma leptospirose”. Me lembrou um cara que trabalhava comigo que uma vez soltou um “eu vi o cara desdenhar a vaca pra tirar leite”.
Vez ou outra alguém flata uma coisa dessas. E fede. Meu cunhado, dentista, trabalhava no interior da Bahia quando ouviu de uma paciente que seu filho era “funileiro nasal” e provavelmente iria para o Tahiti guerrear numa força de paz. Não duvido. Tudo é possível nesse mundo de surpresas…
Anotem ai então:
“califórnios fecais”
“hebrailico”
A primeira foi numa conversa sobre esgoto, mar, etc.
A segunda foi num elevador onde os botões dos andares traziam os número em braile.
Aqui não é o caso de “repetir sem pensar”, é caso de não pensar mesmo. Nas duas ocasiões eu tive que me controlar pra não rir e deixar a pessoa brava. Foi a mesma pessoa que cunhou os dois neologismos crossover. E ela também fala “aDEvogado”, “pobrema” e troca o l pelo r, “prano” no lugar de plano e “prástico” no lugar de plástico. E por ai vai.
Isso naum eh nd…minha amiga estava andando comigo outro dia na rua…e tropeçou…simplesmente ela vira pra mim e diz…”ai, tropecei no afalsto…comecei a rir q naum conseguia parar…de repente ela solta outra, tinha uns mocinhos na nossa frente, e ela me diz:”para ow…vc vai assustar os raspazes”…putz, q pior…aqle dia ela quase me matou de tanto rir…huahauhaua…mais realmente, eh aquela história do conhecimento naum estar unido a tecnologia e a vontade de aprender…sempre estão separados, e o mundo contínua, com pessoas sem maiores interesses de expandir conhecimentos, ou ainda posso por a culpa no governo q não se preocupa em educar a população, com medo de criar gente honesta, inteligente e totalmente capaz de se defender dessa raça…affsss…(e isso pq ia ser sem demagogias…rs)
Eu sei que querer que as pessoas saibam inglês já é demais, mas eu também tenho que me segurar muito pra não rir em determinadas situações. Quando eu tava dando monitoria de delphi na faculdade eu ditava algumas coisas pras pessoas escreverem no Unit e apareciam coisa incríveis como por exemplo:
eu ditava: “if (nome.text=’ ‘) then write…”
quando eu ia ver tava escrito: “If (nome.text=’ ‘) den rait…”
ou coisas copiadas no caderno como:
Form1.clouse (close)
box1.clier (clear)
É duro né, e como vc num vai rir disso? É instintivo hehehehe. Eu sei que a ignorância nem sempre é culpa do ignorante, mas que é tiste, É!
Não me perguntem como entrei aqui!!! Eu viajo.
É muito interessante esse assunto!
Minha mãe tem uma amiga chamada Florípes, que adora ensinar receitas. Qualquer receita que você queira saber; pergunte para a Floripes, que ela ensina.
Um dia, no fim da tarde, recebi um telefonema de minha mãe, perguntando que “raio” de palavra era “nanoscada”???
Eu não sabia também.
No fim de semana, quando fui visitá-la, assuntei sobre a “nanoscada” e, se ela já havia descoberto o significado. Pois, não é que ela já sabia o que era?
Era uma receita de bolo de nozes, que pedia como ingredientes: castanha do pará, avelãs, e “nanoscada”.