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Separando os adultos das crianças

Eu ia dizer que era pra separar os homens dos moleques, mas serve pra separar as mulheres das garotinhas também. Recentemente um sujeito aleatório disse que eu havia escrito um texto “só para mostrar que tenho namorado”. Diante da proximidade de mais um aniversário de casamento isso soa tão engraçado que me lembra a época em que a pergunta mais aterrorizante das nossas vidas era se já havíamos beijado.

Em algum tempo os primeiros beijos foram ficando ultrapassados e o terror foi substuído pela virgindade. Fui a primeira das minhas amigas lesadas a se livrar do terrível fardo e na época tudo era novidade e fascinante. O primeiro namorado, a primeira ida ao motel, o primeiro buquê de rosas.

O tempo passa, o tempo voa, tem moleques por aí que nem conheceram o Bamerindus que já praticam atos libidinosos e eu já falo frases que começam por “no meu teeeempo”. Pessoas da época do Bamerindus atualmente não precisam “mostrar que têm namorado” porque muitas têm inclusive filhos. Perguntas em relação à virgindade soam igualmente ridículas – exceto em caso de milagres, e, se for a situação, contacte imediatamente o Vaticano – é a sua grande chance.

O lance do beijo merece um parágrafo especialmente dedicado. Eu tinha problemas sérios com isso. Dei o primeiro beijo aos 13 anos e foi babado e péssimo, mas, fiquei nas nuvens. Beijei o cara mais algumas vezes – duas ou três. Atualmente é tão incrivelmente fácil beijar quem quer que seja, que eu me limito a beijar quem interessa. Na adolescência eu passava ANOS sem um beijo sequer, hoje eu posso beijar todos os dias. Posso dizer que o primeiro beijo é supervalorizado, que, se soubéssemos que depois seria tão tranqüilo beijar bem e com freqüência, provavelmente não haveria tanta histeria em relação ao primeiro.

O mais notório, ao que me parece, é todo o joguinho que rola na adolescência, de só se beijar depois de X encontros, e só fazer sexo depois de N tempo. Horrivelmente existe gente que cresce e perpetua esse jogo, sob mil desculpas (“se dar ao valor”, “se respeitar”, etc), mas, qualquer pessoa crescida e experiente que se preze, sabe que deixar as coisas correrem naturalmente é que é o verdadeiro significado de “se valorizar” e “se respeitar” (ou qualquer desculpa que os adolescentes inventem), e, enfim aproveitar o tempo pra fazer o que é bom. Vou lá perder a oportunidade?

4 Comments

  1. Sensacional o texto! Partilho o “no meu teeeeempo” com menos entusiasmo do que o deixar as coisas correrem naturalmente. Mas, com menos ou mais entusiasmo ainda assim compartilho ;)

    Posted on 13-out-09 at 10:57 pm | Permalink
  2. Adorei o texto.
    Realmente com o tempo, deixamos de supervalorizar coisas tão pqnas.
    E vi alguns comentarios realmente sobre o post que fez, sinceramente, é engraçado ver a mentalidade desses meninos que ainda não tem experiencia de vida pra dizer que isso ou que aqui desvaloriza uma mulher. Acho que ainda estão esperando uma mulher tipo Cinderela.

    Posted on 26-out-09 at 3:22 pm | Permalink
  3. Rogerio

    Parabéns!! excelente relato de como coisas simples que até alguns anos atrás tinham significados enormes está banalizando-se com a molecada de hoje em dia, ahhh viajei no tempo lembrando do bamerindus!! hehehe

    Posted on 01-dez-09 at 6:01 pm | Permalink
  4. Concordo contigo em uma porção de aspectos. Mas, ainda que eu seja muito novo(22 anos), me recordo muito bem da poupança que continua numa boa rsrsrs…

    E não sei porque, mas sempre me lembro do Bamerindos e do Gelol(passa Gelol que passa) juntos.

    Agora, sobre a virgindade… Bom, ser virgem pode trazer grandes retornos financeiros, já que o “negócio da moda” é leiloar a virgindade( http://g1.globo.com/Noticias/PlanetaBizarro/0,,MUL756274-6091,00-EM+BUSCA+DE+US+MILHAO+JOVEM+DOS+EUA+LEILOA+VIRGINDADE.html ). É para cair o ** da bunda!!

    Posted on 13-fev-10 at 12:20 pm | Permalink

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