Septemberfest 2: a revanche

Esta semana foram mais três filmes vistos no Festival: o espanhol 20 Centímetros, o japonês Casshern e o frances Les Invisibles. Infelizmente, nem tudo foi bom nessa leva: só gostei do 20 Centímetros - odiei profundamente o Casshern e achei o Invisibles frustrante.

Vamos falar primeiro do que é ruim: Casshern desbancou Demonlover, e se tornou sem dúvida a pior coisa que eu já vi num festival. Observem que eu apesar de ter odiado Demonlover, fiquei até o final da sessão, e Casshern eu NÃO AGUENTEI E SAÍ NO MEIO. Aliás, não fui só eu quem saiu no meio, uma galera também desistiu. Tem uma mocinha que fica gritando o nome do herói e chorando o tempo todo que dá vontade de matar, a trama é ridícula e tem seqüências toscas que te dão a sensação de estar assistindo National Kid.

Agora falemos de frustrações: Les Invisibles é uma excelente demonstração de como um roteirista pode estragar uma boa idéia. O personagem principal é um mané, então não dá pra ter simpatia nenhuma por ele, tem personagens que você não sabe o que estão fazendo ali, e o final, bem, não é um final, é um daqueles que deixam você imaginar o que acontecerá - coisa de roteirista que não sabe como acabar a história. Frustrante, porque a idéia é boa e você vê a cada cena o sujeito estragá-la cada vez mais. Que ódio do roteirista.

Por último, vamos falar das coisas boas: 20 Centímetros foi uma agradabilíssima surpresa. Primeiro foi muito legal ver o diretor do filme, o novato Ramón Salazar, apresentando seu trabalho, todo modesto e simpático, ao vivo no início da sessão. Segundo porque o filme não é apenas bom, é divertido e muito bem realizado. Recomendo aos fãs de Almodóvar - especialmente fãs dos filmes mais antigos do Almodóvar - e nem se preocupem muito em achar sessões no Festival porque, com a repercussão positiva que o filme está tendo, certamente vai entrar em cartaz depois.

Bem, pelo menos ainda estou no lucro: de 5 filmes, 3 foram muito bons e 2 ruins. Agora me falta Inside Deep Throat, o documentário, que ainda nem foi liberado para venda, mas também é só em outubro. Até lá, não tenho nenhum filme a mais na agenda. A menos, é claro, que alguém me faça alguma sugestão imperdível.

Update: Inside Deep Throat é um excelente documentário sobre a hipocrisia americana. Altamente recomendado, ele realmente vai muito além do filme. O que faz meu festival ter saldo bastante positivo - 4 bons e 2 ruins. Ano produtivo! Agora só em 2006!

10 comments:

  1. aya, 3. October 2005, 20:27

    acho casshern um excelente filme…
    é um padrão diferente, e é para parecer national kid, é um live action… o.o
    o visual do filme é de tirar o fôlego. o diretos, wow, é um dos caras que eu mais respeito no cinema. a trilha sonora é perfeita.
    é, eu sou uma admiradora de cultura japonesa e talz, deve ser por isso que fiquei tão boquiaberta com o filme.

     
  2. pedro, 4. October 2005, 21:35

    Achei o Casshern uma droga. Confuso e só visual, com pouco conteúdo.

     
  3. Eduaro, 7. October 2005, 23:22

    Quem diz que a trama é fraca e que é confuso é pq não entendeu, pena não ter ficado até o final, pois aí vc ia reclamar ainda mais, afinal nao ia entender nada mesmo. Uma pena o fato de não conseguir perceber a riqueza desse filme, apenas fico triste com sua opinião, se ao menos vc tivesse visto tudo e entendido. Bom…
    abraços

     
  4. Fabio FZero, 9. October 2005, 14:35

    Eduaro (é isso mesmo? Se for, a trama do seu nome é difícil demais de entender), essas desculpas são as mesmas que os fãs de filmes iranianos com animais nos nomes usam para fingir que são “intelectualmente superiores” porque conseguem ficar em filmes chatos até o fim sem dormir. Na verdade todos sabemos que isso prova apenas que eles são imbecis obstinados querendo a todo custo mostrar para os outros imbecis o quanto eles são “cabeça”.

    Casshern NÃO É filme cabeça, é tronco e membros - e reunidos aleatoriamente de vários pedaços que estavam espalhados naquela piscina cheia de braços e pernas. É a adaptação de um anime da década de 70 - e um anime medíocre, aliás. Até Star Blazers (Yamato) é melhor, afinal tem uma história que faz algum sentido e passa uma mensagem interessante de um jeito pouco óbvio.

    Casshern é um desastre, um equívoco, um filme que seria muito bom se fosse um curta (o visual é legal por 15 minutos, depois cansa). Os personagens têm a profundidade de uma folha de papel: ou são 100% bons ou querem que a humanidade exploda, sem meios-termos. Afinal, por quê começaram a atirar nos frankensteins quando eles começaram a sair do piscinão de ramos? Não era mais fácil ter dialogado com eles? Olha a falta de profundidade aí! O roteirista segue a máxima do Vovô Simpson, “vamos destruir aquilo que não entendemos!”. Esse tipo de coisa só acontece em filmes de ação medíocres - como Casshern! Num bom roteiro, o surgimento dos neo-sapiens seria um maravilhoso gancho para discutir temas filosóficos de uma maneira interessante. Mas a quem queremos enganar? Trata-se de Casshern, um filme baseado num anime de ação. Não poderia ser profundo, certo? Afinal um dos personagens precisa virar o Jaspion em algum momento!

    A trama do filme é tão ruim que alguns video-games têm roteiros melhores. Super Mario é mais inteligente! Com algum esforço podemos até dizer que Pac Man é um estudo sobre paranóia, anfetaminas e obesidade, afinal nosso herói come tudo e precisa de bolinhas brilhantes para acabar com seus fantasmas - e isso o torna mil vezes mais profundo que Casshern.

    Por favor, dê mais argumentos para que eu possa sacanear mais o filme, estou me divertindo horrores. E olha que eu nem fiquei até o final! :-D

     
  5. André, 28. October 2005, 18:48

    Putz.. o FSF está precisando de uma boa dose de Uisque com &n&rg&t1c0

     
  6. Leonardo, 7. November 2005, 13:43

    Casshern é um caso sério.
    Para começo de conversa, se o espectador não gostar de videogame (principalmente os rpgs japoneses), séries de super sentai (jaspion & Cia) e não gostar de ficção maluca, esqueça o filme. Este não servirá, assim como vários outros.
    Certo? Ok, vamos em frente.
    Após refletir um pouco sobre o filme, realmente ficou claro que os orientais empregam estruturas narrativas diferentes dos ocidentais. Lembrei-me de muitos filmes que vi, até mesmo os grandes filmes de Kurosawa, e reparei o quanto se perde em uma leitura inicial sem um mínimo de preparação por parte do espectador.
    Apesar disso, RAN entra pelos olhos de qualquer pessoa como uma flecha de um samurai, chega aos ouvidos como um okoto tocado com perfeição e arrebenta as vísceras como um harakiri.
    Não estou querendo comparar RAN com super sentai, ok? A intenção foi só de mostrar que uma obra redonda atinge não importando nem língua nem cultura.
    Casshern tem sérios problemas de argumentação mesmo para os padrões orientais. Baseado em uma série de sucesso? Stand alones de qualidade são obras à parte e tem que se sustentar com as próprias pernas.
    Impossível não lembrar do chinês “Cavaleiros da Tempestade”, que saiu em vídeo por aqui. Uma história imensa condensada de forma tão horrorosa.
    Cassern tem o mesmo problema. O Filme tem tanto a dizer, mas escorrega na escolha do tempo que dedica a cada informação. No fim das contas, tem uma história de ficção confusa, uma rede de relacionamento macarrônica, poucas cenas de ação e exige do espectador conhecimento prévio do universo rpg-mangá-finalfantasy-sentai para ser um pouquinho prazeiroso.
    Eu quase enfartei quando, aos 50 e poucos minutos de filme, os neo-sapiens fazem um discurso que introduz toda uma sequêcia de eventos e cenas de ação deslmbrantes que duram cinco minutos. Mas o filme tem duas horas e vinte.
    Alusões a segunda guerra, metáforas, reflexões sobre o absurdo da violência humana, certo, certo, certo…. Alguém aí viu “Túmulo dos vagalumes”? Isso só pra citar uma obra japonesa que trata da guerra com qualidade…
    Um Jaspion profundo? Quem vai assistir isso! Ou você faz um drama pungente e bem pensado ou você bota um cara com roupa de besouro detonando todo mundo… as duas coisas juntas é como colocar o Vin diesel fazendo filme de arte francês.
    Sabiam que foram gastos 6 milhões de dólares para se fazer tudo aquilo?
    Se o filme tivesse dado certo, (e não deu certo na parte mais barata e mais importante, o roteiro, onde só se gasta papel e láis), a indústria cinematográfica norte americana estaria perdida. E seria bem feito.
    Eu joguei os jogos, vi as séries, li vários mangas. Faço parte do público que quase endoida vendo o cara destruir aqueles robôs todos com todos aqueles golpes maravilhosos. Meus olhos vidraram nos cgs de fazer qualquer Darth George Lucas chorar de inveja. E no fim das contas, não gostei.
    Não foi desta vez.
    Será que não vai aparecer um Hayao Miyazaki dos filmes de ação?

     
  7. Wilson, 15. November 2005, 15:24

    Acho as opiniões anteriores as que estou digitando “hoje”, dia 15/11/2005, um tanto equivocadas, pois acredito que a idéia fundamental do filme, era e é apenas concientizar as nações de diferentes etnias, da sua própria ignorância, vide textos acima…Não gostar, comparações, e daí, temos inspirações, modificamos, alteramos, adequamos…e isso é um processo também criativo, por que não¿¿¿?
    Ou será que ainda sobra algo para realmente “criar”, segundo certos pontos de vista, algo impensável até então!!! Quem sabe, né? Tudo é possível nesse imenso e tão pequeno mundo!!! Em suma eu adorei o filme, achei tecnológicamente fabuloso, um novo conceito em artes digitais, com um forte apelo a paz…
    Finalisando, não temos que fazer comparações, apesar da irresistível tentação de o fazer!!! Nem todos bons filmes como esse, devem ser comparados com outro qualquer, mas sim talvés lembrar de alguma cena coincidentemente ou não em outros filmes, meros detalhes(inspirações)!!
    Eu teria horas para documentar e defender esse meu ponto de vista, mas acho que não teria paciência!!!
    Sou Designer, e como tal cansei de ouvir essa frase “Hoje em dia nada se cria, tudo se copia”…isso é um pensamento perturbador e irracional de certa forma, pois o ato de criar pode e deve se fazer a partir de informações coletadas durante todo o processo de elaboração de quaisquer tipo projeto e assim……CRIAR!!!!!!!!!!!

     
  8. pedro, 19. November 2005, 16:02

    Eu não sou exatamente um não-iniciado em cultura japonesa em geral, já vi muito animê, li muito mangá, já joguei muito RPG e videogame, vi filmes orientais, até estudei um bocado de japonês… no entanto achei o filme ruim. Não tem nada a ver com conhecer como funciona o estilo, apesar da estética ser oriental (o que pode ser confuso pra quem não está acostumado), o filme *é* naturalmente confuso e, porque não dizer, pretencioso. Portanto, concordo com o Leonardo.

    Wilson, teve alguma outra opinião no dia 15 fora a sua que você não considera “equivocada”? Não entendi a referência que você fez, muito generalista.

    Aliás, você não disse nada sobre as “qualidades” do filme, apenas ressaltou que não se deve fazer comparações e que ele é “bom”, o que é apenas uma demonstração de gosto (e gosto é pessoal e subjetivo, então eu não tenho que concordar com você).

    O filme é visualmente interessante, sim, mas sem uma boa história e sentido, ele cansa depois de 15 minutos. O apelo a paz é inexistente, visto que todos recorrem ao uso de armas (vilões e mocinho). O máximo que ocorre é uma fuga no final do filme, nada é resolvido, pois o mundo continua em guerra.

    É óbvio que é muito difícil criar algo novo hoje em dia, o que pode ser feito é contar uma história conhecida de forma (até certo ponto) original. O problema é que esse filme não tem muita história a ser contada, porque não a desenvolve.

     
  9. Nostalgic, 3. December 2005, 13:58

    Casshern é um excelente filme. Não falo apenas por ser um fã do anime, mas como em todos os filmes japoneses e chineses tem um fundo psicológico e filosofico gritante. A profundiade dos personagens não está em suas falas, mais sim em suas ações. Creio que os que estão contra não viram o final quando ele mata o seu própio pai. Entã não uma definição de bondade e maldade como foi dito acima, cada personagem tem a sua visão, a sua própia realidade que guia as suas ações. A ultima coisa que há é uma definição nítida de bem e mal. Sinceramente, as argumentações dos “contras” são furadas. Se você não assistio e nem conhece o anime nem a sua história, não tente comentar. É ridículo…

     
  10. Leonardo, 27. December 2005, 11:38

    Esta discussão está acontecendo a passo de tartaruga, mas está muito divertida. O que será que a dona do espaço está achando dela?
    Acho bem a contento comentar algo sobre a última opinião postada, pois me parece que ela reflete bem o que eu quis dizer, em meu post anterior, sobre o tipo de público da obra. Está aí, um fã do anime defendendo o filme. Não há confusão para quem se contenta em ver na tela algumas cenas de uma história que já conhece e já absorveu por meio de um formato mais inteligível.
    O problema é que como filme a obra não se sustenta sozinha. Há um emaranhado de referências complexas mal apresentadas para o público leigo, além de personagens fracas e mal interpretadas (como exemplo, cito a namorada do herói, com profundidade e interpretação dignas de um novelão mexicano.
    Li, em alguma entrevista com o diretor, que sua intenção não foi fazer um filme de ação, e sim um drama. Neste caso, ele usou de uma violência descabida pra falar de paz. E só acertou de verdade a mão nas poucas, porém estilosas e eletrizantes cenas de ação. No drama, embolou os fios e destroçou o ritmo da história.
    Mas há um feito pra lá de memorável neste filme. Eles conseguiram fazer um filme de grandes dimensões, recheado de efeitos deslumbrantes, muito melhores do que o de muitas superproduções americanas com menos 8 milhões de dólares.
    Daí dá pra tirar algumas conclusões inconclusas: o cinema americano é um inchadíssimo caça níqueis e o cinema japonês precisa aprender a ganhar traquejo, didática e ritmo. Como aprender cosas é mais fácil do que abrir mão de um gordo dinheiro preguiçoso, acho que logo veremos filmes-pipoca maravilhosos vindos da terra do sol nascente.

     

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