Falta pouco mais de dois meses para meu aniversário de 28 anos. E eu me sinto, às vezes, uma velha de 90, mais resmungona que minha avó, que recém comemorou seus 89 outro dia. Ando sem paciência para muita coisa nessa vida, o que me deixa com a sensação que meus poucos, mas insistentes cabelos brancos têm seus motivos: sou novinha de corpo, mas velhinha de cabeça.
Não tenho tido paciência, como é comum à juventude, para discussões inúteis. Hoje mesmo brinquei com um cara do trabalho sobre Windows, ele começou uma discussão sobre as vantagens do Windows 2003 Server, e eu me resignei e disse “Olha, eu estava só brincando, odeio este tipo de discussão”. Odeio mesmo, isso nunca vai me levar a lugar nenhum, eu tenho mais o que fazer da minha vida do que argumentações que eu já fiz 500 vezes. Vai ler o Baboo e me deixa em paz.
Isso é extremamente curioso vindo de mim, cheia de opiniões ditas “polêmicas” e tal – continuo com elas, mas ando sem saco para discuti-las. Guardo os argumentos para mim, tenho meus amigos que concordam comigo, quero comprar o God Delusion em inglês só pra ver o quanto eu concordo com o Dawkins, etc. Mas argumentações sérias? Tô fora. No máximo uma filosofia de botequim com os amigos. Acho que passei da fase de jovem rebelde contestadora, sei lá, existe isso? Não que eu tenha parado que questionar, mas eu não tenho a paciência necessária para argumentar com gente que não vai gerar uma discussão, digamos, frutífera.
Enfim, acho que a idade pesou e minha paciência para o mundo foi embora. E eu não tenho nem 30 anos. Imaginem só o que vai ser do pobre interlocutor que me perguntar qual o melhor de dois sistemas operacionais daqui a 10 anos?