A Última Virgem

Eu sempre detestei a Sandy por tudo o que ela representa. Permitam-me explicar. Sou feminista. Se existem mulheres que trabalham fora, podem votar, buscam igualdade de direitos, é porque suas mães e avós saíram às ruas anos atrás e batalharam por isso, foram feministas como eu e garantiram esses direitos para elas. Se as mulheres hoje em dia ainda são ridicularizadas quando apanham do parceiro e tentam registrar queixa numa delegacia, ganham menos que os homens em cargos equivalentes, e ainda precisam buscar igualdade de direitos, é porque ainda existe machismo – e o fato de a mídia vender menininhas como a Sandy como a “mulher ideal” – ‘virgem convicta’, submissa aos pais e ao namorado, inocente e dependente tem muito a ver com tudo o que precisa mudar na cabeça não só dos homens, mas também das mulheres, pois a mudança vem de nós também.

E a fofoca da semana diz que a “mulher ideal” estaria grávida do namorado – oh que horror, diriam os puritanos fãs – e vai se casar numa “cerimônia íntima em alguns meses” (provavelmente com um vestido “fluido” com alguns babados, sabe como é). Na verdade, isso só corrobora minha tese que, quanto mais os pais obrigam os filhos a não fazerem sexo, maior a probabilidade de eles não usarem métodos contraceptivos quando fizerem. Mas isso é para outro texto. Estamos aqui nos despedindo do ícone de uma geração de adolescentes, ahn, errados. Queridos, lamento informar: Tanto a Sandy quanto a Britney fizeram sexo pré-marital. E sem camisinha. Agora, Sandy, nossa pós-adolescente pseudo-virgem, vai se casar. E grávida. Engraçado que eu podia apostar que isso ia acontecer. Bem, boa sorte, Sandy. E lá se vai A Última Virgem.

Sexo e o Pan

Muito se falou sobre o Pan, inclusive sobre o esgotamento (ui) de camisinhas na Vila do Pan no primeiro dia. Qual a surpresa? Ninguém se lembra que a mesma coisa aconteceu na Vila Olímpica de Atenas em 2004? E muito provavelmente acontece em qualquer outro evento esportivo?

Em primeiro lugar (ha!), vamos parar de falso moralismo: são atletas cheios de saúde, energia, disposição, e tensão causada pela competição, cercados de pessoas interessantes de lugares diferentes com experiências legais pra trocar e os mesmos interesses. Não parece ÓBVIO e NATURAL que façam sexo? E, felizmente, parecem ser bastante cuidadosos e esclarecidos, pois usam camisinha, ao contrário de muita gente pseudo-certinha que eu conheço por aí.

Em segundo lugar, eu não sei o que os treinadores pensam disso, mas eu recomendaria aos atletas bastante lazer (se é que me entendem) seguido de uma boa noite de sono antes de uma competição importante. Acho que os resultados seriam excelentes depois disso. Bem melhores do que com, ahn, “tensão reprimida”. Pensem comigo: atletas são, na verdade, gente como nós. Só que perto de uma competição treinam como loucos, precisam seguir uma dieta rígida, não podem beber, precisam tomar o maior cuidado com o que consomem por aí para não serem pegos por doping (hoje em dia até remédio pra gripe pode ser doping), enfim, é uma vida muito rígida. O que lhes resta? O sexo. Por isso as Vilas Olímpicas e similares se transformam numa suruba – porque eles são gente como a gente e precisam de lazer do mais tradicional possível, como eu, você, e a mãe do Galvão Bueno precisou um dia para gerar aquela entidade. Por mais que tentem dizer que não, todo mundo precisa de sexo. Inclusive o Diego Hypólito – não tentem me convencer que a disposição toda dele ontem era puro amor à pátria.

Se esporte é saúde, eu não sei – eu fico meio assustada com a quantidade de lesões causadas pela ginástica artística, futebol, entre outros. Mas sexo, sem dúvida é, pelo menos usando camisinha ninguém corre muitos riscos. Então, recomendo aos atletas a prática de sexo antes e após as competições (durante fica meio difícil). Só não posso recomendar a prática de esportes antes ou depois do sexo, pois não sou exatamente uma atleta. Saúde!