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	<title>Comentários sobre: Vida difícil</title>
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	<description>A female sysop is a sysopette</description>
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		<title>Por: Raiza</title>
		<link>http://renata.org/post/vida-dificil/comment-page-1/#comment-8381</link>
		<dc:creator>Raiza</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Aug 2008 19:18:23 +0000</pubDate>
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		<description>Excelente o seu blog,adorei o post,isso costuma acontecer muito comigo também,é um saco ¬¬</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Excelente o seu blog,adorei o post,isso costuma acontecer muito comigo também,é um saco ¬¬</p>
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		<title>Por: Liesl</title>
		<link>http://renata.org/post/vida-dificil/comment-page-1/#comment-8377</link>
		<dc:creator>Liesl</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Aug 2008 14:12:35 +0000</pubDate>
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		<description>Adorei o post. Ja passei varias vezes por isso e sei a raiva que da. Inclusive da historinha da filhinha de papai. Classica.
Alias, meu cunhado de 32 anos nao trabalha e mora com os pais. Nao faz p.n. da vida. Reclamam que ele nao tem emprego, mas ele tb nao procura, ne? Eh que nem ganhar na loteria sem jogar. Agora, tinham que dar um ultimato nele: ta precisando de $? Vai entregar pizzas, vai ser caixa no supermercado, vai fritar hamburgers no McDonald&#039;s. Ate aparecer alguma coisa melhor.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Adorei o post. Ja passei varias vezes por isso e sei a raiva que da. Inclusive da historinha da filhinha de papai. Classica.<br />
Alias, meu cunhado de 32 anos nao trabalha e mora com os pais. Nao faz p.n. da vida. Reclamam que ele nao tem emprego, mas ele tb nao procura, ne? Eh que nem ganhar na loteria sem jogar. Agora, tinham que dar um ultimato nele: ta precisando de $? Vai entregar pizzas, vai ser caixa no supermercado, vai fritar hamburgers no McDonald&#8217;s. Ate aparecer alguma coisa melhor.</p>
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		<title>Por: Roberto Injustus</title>
		<link>http://renata.org/post/vida-dificil/comment-page-1/#comment-8376</link>
		<dc:creator>Roberto Injustus</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 Aug 2008 12:12:20 +0000</pubDate>
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		<description>Esse post podia ser bom, mas põe muita ênfase nos pobres e miseráveis. Até o segundo caso, em que parece haver uma empresa envolvida, põe ênfase no motoboy. Daí o foco meio equivocado da maioria dos comentários. Mas a própria autora menciona &quot;sub-emprego&quot; (sic) e &quot;progredir na vida&quot;. Só aborda as mancadas de quem está por baixo. Então o post é preconceituoso mesmo.

Bem disse o/a Tabgal, e merece destaque: empresas de grande nome fazem muito pior, e as pessoas toleram. Veja como celular vende mais que pão quente apesar da qualidade incrivelmente porca dos serviços. E essa lógica de que &quot;Deus castiga&quot; não se aplica aos encanadores e marceneiros, por exemplo. Estes vivem dando cano em todo mundo e vivem muito bem.

Gente irresponsável existe em todas as classes sociais. Aliás, sabe-se nos meios financeiros que as faixas mais pobres são as que menos entram em inadimplência. A classe média se enforca no crediário, e o rico não tem medo de tomar grandes empréstimos para realizar projetos ambiciosos - e dar grandes calotes se for preciso. O pobre, seja por honestidade, vergonha ou medo da própria sombra, é muito mais cauteloso. Pode muito bem ser honestidade mesmo, pois o moralismo extremo é um refúgio muito comum entre os que têm complexo de inferioridade. Achar-se mais &quot;decente&quot; do que quem está acima em condições financeiras é uma das formas mais populares de consolo para quem vive na miséria. É o famoso lema &quot;sou pobre, mas sou limpinho&quot;.

Eu poderia contar alguns casos de pobrezinhos irresponsáveis, mas teria muito mais histórias de gente razoavelmente bem de vida - simplesmente porque é o perfil da maioria das pessoas com quem eu me relaciono.

&lt;blockquote&gt;Esses foram os três últimos casos que aconteceram comigo, coincidentemente, foram pessoas pobres. Sub-emprego é tudo o que está abaixo do que você pode conseguir (nas classes altas é caracterizado por aquele filhinho de papai que arruma pseudo-trabalhos nas empresas de amigos e parentes) e, bem, você não quer progredir na vida *honesamente* ? Eu quero. Já relatei o caso da minha colega de colégio riquinha e irresponsável também, mas infelizmente não sou tão, er, *bem relacionada* assim como você. Algo mais? &lt;/blockquote&gt;

</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Esse post podia ser bom, mas põe muita ênfase nos pobres e miseráveis. Até o segundo caso, em que parece haver uma empresa envolvida, põe ênfase no motoboy. Daí o foco meio equivocado da maioria dos comentários. Mas a própria autora menciona &#8220;sub-emprego&#8221; (sic) e &#8220;progredir na vida&#8221;. Só aborda as mancadas de quem está por baixo. Então o post é preconceituoso mesmo.</p>
<p>Bem disse o/a Tabgal, e merece destaque: empresas de grande nome fazem muito pior, e as pessoas toleram. Veja como celular vende mais que pão quente apesar da qualidade incrivelmente porca dos serviços. E essa lógica de que &#8220;Deus castiga&#8221; não se aplica aos encanadores e marceneiros, por exemplo. Estes vivem dando cano em todo mundo e vivem muito bem.</p>
<p>Gente irresponsável existe em todas as classes sociais. Aliás, sabe-se nos meios financeiros que as faixas mais pobres são as que menos entram em inadimplência. A classe média se enforca no crediário, e o rico não tem medo de tomar grandes empréstimos para realizar projetos ambiciosos &#8211; e dar grandes calotes se for preciso. O pobre, seja por honestidade, vergonha ou medo da própria sombra, é muito mais cauteloso. Pode muito bem ser honestidade mesmo, pois o moralismo extremo é um refúgio muito comum entre os que têm complexo de inferioridade. Achar-se mais &#8220;decente&#8221; do que quem está acima em condições financeiras é uma das formas mais populares de consolo para quem vive na miséria. É o famoso lema &#8220;sou pobre, mas sou limpinho&#8221;.</p>
<p>Eu poderia contar alguns casos de pobrezinhos irresponsáveis, mas teria muito mais histórias de gente razoavelmente bem de vida &#8211; simplesmente porque é o perfil da maioria das pessoas com quem eu me relaciono.</p>
<blockquote><p>Esses foram os três últimos casos que aconteceram comigo, coincidentemente, foram pessoas pobres. Sub-emprego é tudo o que está abaixo do que você pode conseguir (nas classes altas é caracterizado por aquele filhinho de papai que arruma pseudo-trabalhos nas empresas de amigos e parentes) e, bem, você não quer progredir na vida *honesamente* ? Eu quero. Já relatei o caso da minha colega de colégio riquinha e irresponsável também, mas infelizmente não sou tão, er, *bem relacionada* assim como você. Algo mais? </p></blockquote>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: Vale a pena ler de novo, edição de 9 de agosto de 2008. &#124; Vivendo e aprendendo sempre...</title>
		<link>http://renata.org/post/vida-dificil/comment-page-1/#comment-8375</link>
		<dc:creator>Vale a pena ler de novo, edição de 9 de agosto de 2008. &#124; Vivendo e aprendendo sempre...</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 09 Aug 2008 20:10:07 +0000</pubDate>
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		<description>[...] Renata em seu blog desabafa no seu post intitulado &#8220;Vida Difícil&#8220;, sobre como as pessoas podem ser tão irresponsáveis e perdem as oportunidades que surgem [...]</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>[...] Renata em seu blog desabafa no seu post intitulado &#8220;Vida Difícil&#8220;, sobre como as pessoas podem ser tão irresponsáveis e perdem as oportunidades que surgem [...]</p>
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	<item>
		<title>Por: Sulamita Garcia</title>
		<link>http://renata.org/post/vida-dificil/comment-page-1/#comment-8374</link>
		<dc:creator>Sulamita Garcia</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Aug 2008 16:57:29 +0000</pubDate>
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		<description>Melhorar ou evoluir na vida significa sair da zona de conforto, e em geral isto nos custa muito: estou lendo um livro que diz que os mamíferos são os piores na hora de aceitarem alguma mudança. Não que isto justifique, muito pelo contrário, sem sair da zona de conforto teríamos a muito entrado em extinção. Mas sair da zona de conforto implica em assumir para si a responsabilidade da situação atual e da futura, o que a maioria das pessoas não quer.

Veja o exemplo da sua manicure. Ela é uma coitada porque o emprego a explora, não porque ela não busca alternativas melhores - pelo menos na cabeça de muita gente. Se ela começar a atender em casa, vai assumir para ela a responsabilidade de ganhar melhor e não pagar taxas. E quem é que quer deixar de poder colocar a culpa no patrão ou no chefe pela própria infelicidade? 

No exemplo da amiga que queria porque queria o diploma, provavelmente vai passar a vida dizendo que perdeu a oportunidade da vida dela porque a escola não queria dar o simples papel. É tudo que ela deve precisar para passar a vida se sentindo vítima e não responsável pelos próprios fracassos...</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Melhorar ou evoluir na vida significa sair da zona de conforto, e em geral isto nos custa muito: estou lendo um livro que diz que os mamíferos são os piores na hora de aceitarem alguma mudança. Não que isto justifique, muito pelo contrário, sem sair da zona de conforto teríamos a muito entrado em extinção. Mas sair da zona de conforto implica em assumir para si a responsabilidade da situação atual e da futura, o que a maioria das pessoas não quer.</p>
<p>Veja o exemplo da sua manicure. Ela é uma coitada porque o emprego a explora, não porque ela não busca alternativas melhores &#8211; pelo menos na cabeça de muita gente. Se ela começar a atender em casa, vai assumir para ela a responsabilidade de ganhar melhor e não pagar taxas. E quem é que quer deixar de poder colocar a culpa no patrão ou no chefe pela própria infelicidade? </p>
<p>No exemplo da amiga que queria porque queria o diploma, provavelmente vai passar a vida dizendo que perdeu a oportunidade da vida dela porque a escola não queria dar o simples papel. É tudo que ela deve precisar para passar a vida se sentindo vítima e não responsável pelos próprios fracassos&#8230;</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Tabgal</title>
		<link>http://renata.org/post/vida-dificil/comment-page-1/#comment-8371</link>
		<dc:creator>Tabgal</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Aug 2008 17:05:19 +0000</pubDate>
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		<description>Bem lembrado que todas as classes sociais tem seus &#039;coitadinhos&#039;. 

(meio off-topic)

Se bem que o que eu tenho mais aprendido nos últimos tempos é que qualquer serviço ou produto porco é vendido bem e elogiado desde que:

1 - Seja cobrado os olhos da cara (se a pessoa reclama e chora que está caro, você não está cobrando caro o suficiente)
2 - Esteja impregnado de siglas  e babaquices &quot;enterprise&quot; (ou o equivalente correspondentes à área)
3 - O produto ou serviço do concorrente seja diminuído com FUD e falácias (basicamente)

E é claro, quando se descobre a farsa, a defesa aparece com força total.

Ou seja, não se aceitam essas atitudes de &#039;autônomos&#039; (justificadamente), mas se tivesse um nome por trás... se aguentaria coisa muito pior...</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Bem lembrado que todas as classes sociais tem seus &#8216;coitadinhos&#8217;. </p>
<p>(meio off-topic)</p>
<p>Se bem que o que eu tenho mais aprendido nos últimos tempos é que qualquer serviço ou produto porco é vendido bem e elogiado desde que:</p>
<p>1 &#8211; Seja cobrado os olhos da cara (se a pessoa reclama e chora que está caro, você não está cobrando caro o suficiente)<br />
2 &#8211; Esteja impregnado de siglas  e babaquices &#8220;enterprise&#8221; (ou o equivalente correspondentes à área)<br />
3 &#8211; O produto ou serviço do concorrente seja diminuído com FUD e falácias (basicamente)</p>
<p>E é claro, quando se descobre a farsa, a defesa aparece com força total.</p>
<p>Ou seja, não se aceitam essas atitudes de &#8216;autônomos&#8217; (justificadamente), mas se tivesse um nome por trás&#8230; se aguentaria coisa muito pior&#8230;</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Renata</title>
		<link>http://renata.org/post/vida-dificil/comment-page-1/#comment-8370</link>
		<dc:creator>Renata</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Aug 2008 15:22:25 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://renata.org/?p=1087#comment-8370</guid>
		<description>Acho que, por conta dos exemplos que citei, deduziram que esse tipo de coisa só acontece com pobre. Muito pelo contrário. O &quot;pobrezinho&quot; está em todas as classes sociais. Tive uma colega de colégio, de família consideravelmente rica, que não estudava nada, era efetivamente uma das piores alunas da escola (de ficar na última colocação nos simulados pré-vestibular) e, no meio do 3o. ano, &quot;passou&quot; para uma &quot;universidade&quot; que ficou famosa por aprovar um analfabeto no vestibular. Veja bem, ela queria de qualquer forma EM JULHO o certificado de conclusão de 2o. grau só porque havia &quot;passado no vestibular&quot;. Levou um não da escola e ficou revoltadíssima, achando-se injustiçada. Coitada, né? Morri de pena.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Acho que, por conta dos exemplos que citei, deduziram que esse tipo de coisa só acontece com pobre. Muito pelo contrário. O &#8220;pobrezinho&#8221; está em todas as classes sociais. Tive uma colega de colégio, de família consideravelmente rica, que não estudava nada, era efetivamente uma das piores alunas da escola (de ficar na última colocação nos simulados pré-vestibular) e, no meio do 3o. ano, &#8220;passou&#8221; para uma &#8220;universidade&#8221; que ficou famosa por aprovar um analfabeto no vestibular. Veja bem, ela queria de qualquer forma EM JULHO o certificado de conclusão de 2o. grau só porque havia &#8220;passado no vestibular&#8221;. Levou um não da escola e ficou revoltadíssima, achando-se injustiçada. Coitada, né? Morri de pena.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Elvis Pfutzenreuter</title>
		<link>http://renata.org/post/vida-dificil/comment-page-1/#comment-8369</link>
		<dc:creator>Elvis Pfutzenreuter</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Aug 2008 14:30:33 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://renata.org/?p=1087#comment-8369</guid>
		<description>O grande problema do pobre é que os mesmos mecanismos sociais que ajudam-no a enfrentar a pobreza, impedem-no de ir para cima e para frente.

O mesmo acontece com quem é de classe média: quantos conseguem sair do &quot;trio harmonioso&quot; emprego público-condomínio fechado-plano de saúde para tornarem-se ricos? (Eu sou de classe média e posso afirmar que dificilmente vou ser rico um dia; padeço das mesmas limitações que afligem os outros de mesma espécie, e saber disso não resolve nada por si só.)

Comparando o pobre e o classe-média, eu apontaria os seguintes fatores que acorrentam o pobre à sua condição:

* No &quot;planeta pobre&quot;, o indivíduo tem relativamente pouca importância. O que interessa é o coletivo. Em particular, o coletivo do pobre é a sua família estendida. Ele é muito mais apegado à família estendida do que uma pessoa de classe média. 

Isto tem efeito duplamente pernicioso: tira ênfase das conquistas individuais, e restringe o horizonte do indivíduo à sua família que provavelmente tem a mesma condição social, ideologia, nível escolar etc. etc. Apegar-se à família significa excluir, por exemplo, a busca de relações de amizade e associação com &quot;desconhecidos&quot;. O apego à família e a desconfiança a respeito de &quot;estranhos&quot; é considerada uma característica latino-americana, e não admira que a AL seja pobre.

* As conquistas individuais acabam, por diversos mecanismos, sendo diluídas para o grupo. Se alguém consegue um emprego melhor, ou constrói uma casa maior, imediatamente outras pessoas (da família) sentem-se no direito de sugar aquele indivíduo: um dinheirinho emprestado que nunca é devolvido, um enterro em que o cara é convocado a pagar sozinho, um cheque emprestado para parente com nome sujo, e por aí vai. 

Embora tais coisas sejam inimagináveis para quem é de classe média, que geralmente só considera família mesmo a família nuclear (esposa e filhos menores), para o pobre essa exploração não &quot;dói&quot; muito; ele sente-se cumprindo um dever, ou um papel social, pode até ficar feliz em poder fazer isso.

Mas naturalmente ele nunca vai obter juros compostos (tanto no sentido objetivo quanto no figurado) em cima das conquistas dele, porque tudo é imediatamente consumido. E é claro, existe o &quot;moral hazard&quot;: se o sujeito não pode ele mesmo usufruir da sua renda extra, para que tê-la?

* Finalmente, o sistema de valores do pobre é completamente diferente da classe média, que por sua vez é completamente diferente dos ricos. Por exemplo, pontualidade é um valor muito caro à classe média, mas não o é para pobres, e *também não o é para ricos*. 

Valores que são caros para a classe média, mas (acho) não o são para pobres nem para ricos: pontualidade, estrito cumprimento de contratos verbais e escritos, palavra dada, cultura geral, cumprimento de leis e regras, 

Valores que são caros para ricos e classe média, mas não o são para pobres: individualidade, privacidade, silêncio, inserção na sociedade (i.e. em grupos sociais que não a família).</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>O grande problema do pobre é que os mesmos mecanismos sociais que ajudam-no a enfrentar a pobreza, impedem-no de ir para cima e para frente.</p>
<p>O mesmo acontece com quem é de classe média: quantos conseguem sair do &#8220;trio harmonioso&#8221; emprego público-condomínio fechado-plano de saúde para tornarem-se ricos? (Eu sou de classe média e posso afirmar que dificilmente vou ser rico um dia; padeço das mesmas limitações que afligem os outros de mesma espécie, e saber disso não resolve nada por si só.)</p>
<p>Comparando o pobre e o classe-média, eu apontaria os seguintes fatores que acorrentam o pobre à sua condição:</p>
<p>* No &#8220;planeta pobre&#8221;, o indivíduo tem relativamente pouca importância. O que interessa é o coletivo. Em particular, o coletivo do pobre é a sua família estendida. Ele é muito mais apegado à família estendida do que uma pessoa de classe média. </p>
<p>Isto tem efeito duplamente pernicioso: tira ênfase das conquistas individuais, e restringe o horizonte do indivíduo à sua família que provavelmente tem a mesma condição social, ideologia, nível escolar etc. etc. Apegar-se à família significa excluir, por exemplo, a busca de relações de amizade e associação com &#8220;desconhecidos&#8221;. O apego à família e a desconfiança a respeito de &#8220;estranhos&#8221; é considerada uma característica latino-americana, e não admira que a AL seja pobre.</p>
<p>* As conquistas individuais acabam, por diversos mecanismos, sendo diluídas para o grupo. Se alguém consegue um emprego melhor, ou constrói uma casa maior, imediatamente outras pessoas (da família) sentem-se no direito de sugar aquele indivíduo: um dinheirinho emprestado que nunca é devolvido, um enterro em que o cara é convocado a pagar sozinho, um cheque emprestado para parente com nome sujo, e por aí vai. </p>
<p>Embora tais coisas sejam inimagináveis para quem é de classe média, que geralmente só considera família mesmo a família nuclear (esposa e filhos menores), para o pobre essa exploração não &#8220;dói&#8221; muito; ele sente-se cumprindo um dever, ou um papel social, pode até ficar feliz em poder fazer isso.</p>
<p>Mas naturalmente ele nunca vai obter juros compostos (tanto no sentido objetivo quanto no figurado) em cima das conquistas dele, porque tudo é imediatamente consumido. E é claro, existe o &#8220;moral hazard&#8221;: se o sujeito não pode ele mesmo usufruir da sua renda extra, para que tê-la?</p>
<p>* Finalmente, o sistema de valores do pobre é completamente diferente da classe média, que por sua vez é completamente diferente dos ricos. Por exemplo, pontualidade é um valor muito caro à classe média, mas não o é para pobres, e *também não o é para ricos*. </p>
<p>Valores que são caros para a classe média, mas (acho) não o são para pobres nem para ricos: pontualidade, estrito cumprimento de contratos verbais e escritos, palavra dada, cultura geral, cumprimento de leis e regras, </p>
<p>Valores que são caros para ricos e classe média, mas não o são para pobres: individualidade, privacidade, silêncio, inserção na sociedade (i.e. em grupos sociais que não a família).</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: cardoso</title>
		<link>http://renata.org/post/vida-dificil/comment-page-1/#comment-8368</link>
		<dc:creator>cardoso</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Aug 2008 17:52:55 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://renata.org/?p=1087#comment-8368</guid>
		<description>É a Síndrome do Esperto, Lei de Gerson é uma instituição nacional.

Pode ver: NENHUM pedreiro ou pintor recusa serviço. No máximo combina com você, arruma outro serviço pro mesmo horário, manda um primo ou colega incompetente e você que se dane, tem que entender.

Quando reclama, um monte de gente sai defendendo. &quot;ah, é pobrinho, coitado&quot;. SIM, vai continuar gramando justamente por se achar ESPERTO.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>É a Síndrome do Esperto, Lei de Gerson é uma instituição nacional.</p>
<p>Pode ver: NENHUM pedreiro ou pintor recusa serviço. No máximo combina com você, arruma outro serviço pro mesmo horário, manda um primo ou colega incompetente e você que se dane, tem que entender.</p>
<p>Quando reclama, um monte de gente sai defendendo. &#8220;ah, é pobrinho, coitado&#8221;. SIM, vai continuar gramando justamente por se achar ESPERTO.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Professor Laranjo</title>
		<link>http://renata.org/post/vida-dificil/comment-page-1/#comment-8367</link>
		<dc:creator>Professor Laranjo</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Aug 2008 19:32:02 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://renata.org/?p=1087#comment-8367</guid>
		<description>Olha, eu ainda dou um desconto pra essa gente que não teve acesso a informação nenhuma, mas isso também não é desculpa, o que não garante o perdão. Porém é mais sério o caso daquele que tem algum nível de instrução, que teve pai e mãe, e ainda me pára o carro embaixo da placa de proibido estacionar e reclama que levou multa!!! Cadeira elétrica nele!!!</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Olha, eu ainda dou um desconto pra essa gente que não teve acesso a informação nenhuma, mas isso também não é desculpa, o que não garante o perdão. Porém é mais sério o caso daquele que tem algum nível de instrução, que teve pai e mãe, e ainda me pára o carro embaixo da placa de proibido estacionar e reclama que levou multa!!! Cadeira elétrica nele!!!</p>
]]></content:encoded>
	</item>
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