Eu acabei de rever 9 Songs, filme do Michael Winterbottom. Tem muita gente que detesta esse filme, por achá-lo pornográfico (as cenas de sexo são explícitas) ou chato, enfim, mas eu acho o perfeito filme de amor, questão de gosto. É um belo filme. Deixem-me explicar.
Odeio filmes românticos de amor idealizado. É sempre tudo muito diferente da realidade, muito asséptico, muito chato, irreal. Acho insuportável. E como não acredito em amor eterno, acho muito bizarro filmes o “e viveram felizes para sempre” – todo mundo sabe que isso simplesmente não existe. Relacionamentos têm altos e baixos, sexo não tem lençóis, no começo é tudo muito bonito, mas eventualmente passamos por algumas crises, a pia da nossa cozinha não está sempre limpa e arrumada, não estamos sempre penteados, a vida real é assim e é assim que somos felizes uns com os outros. Até que alguma coisa nos separe.
9 Songs fala de amor dessa maneira realista, sem lençóis, descabelado, explícito, com crises, e eventualmente termina, porque nada é eterno. Se passa por 9 shows, as tais 9 canções do título. Eu sei que não é um filme pra todo mundo. Mas acho um belo conto de amor – é indie, ok, mas eu deixo. E antes que me encham o saco me dizendo que eu só gostei do filme porque tem cenas de sexo explícito, se fosse assim, meu ator favorito seria o Rocco Sifreddi. O caso é que eu preciso escrever um texto sobre o preconceito contra pornografia. Acho sexo uma coisa natural demais e importante demais no nosso dia-a-dia – e realmente não acho pornográfico um filme de amor com cenas de sexo de verdade. As pessoas não comem nos filmes? Não tomam banho? Porque não podem fazer sexo? Mas calma, eu vou escrever sobre isso. Enquanto eu não escrevo, façam o favor de ver 9 Songs, nem que seja para dizer “Achei um saco”. Eu só mudaria uma coisa, eu teria fechado com “Love Will Tear Us Apart”, mas, bem, ok, o Joy Division não poderia fazer um show, né?
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