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Um pingo de leite, se lhe agrada

Eu não bebo café. Mas aprecio sinceramente um bom chá. E acho lamentável que seja difícil encontrar um bom chá a preço acessível aqui no Brasil. Não me venham falar dos chás Leão, por favor. O chá preto deles é inaceitável depois que você tomou um Twinings, que é entry-level. Leão faz um mate torrado bom, mas o chá eu tomo na falta de coisa melhor.

Então, para newbies: para os puristas, não deveríamos chamar tudo que é infusão de chá, só o que é infusão das folhas da planta conhecida como… “CHÁ”. HA. Mas convencionou-se que infusão=chá. Os chás mais tradicionais são o preto, verde e branco, e variações sobre esses sabores são permitidas. Embora trekkie assumida (e essa só trekkies vão entender) eu não curto Earl Grey. Meu all-time favorite é um bom Orange Pekoe, eventualmente com um pouco de leite. Mas, vejam vocês, o chá é tão difundido aqui que eu sequer sabia que existiam TIPOS de Orange Pekoe. E o máximo que já provei foi o saquinho da Twinings de Orange Pekoe.

Sexta fui ao cinema ver aquela desgraça que é o quarto Indiana Jones (metade do elenco de apoio tá velho demais ou morreu 20 anos depois do último filme, sem contar bizarrices de roteiro que fazem parecer um filme do Ed Wood) e passei no Shopping Iguatemi, perto do trabalho. E o que isso tem a ver? Bem, achei lá uma lojinha para dondocas sebosas tomarem chá depois de fazerem compras nas lojas de perua. Mas acontece que a lojinha, para alguém que não bebe café e ama chá como eu, é realmente de chorar. Tem chás perfumadíssimos, tomei um saborosíssimo de frutas cítricas, e quase morri em 40 reais por 50g do Orange Pekoe mais cheiroso que já vi na vida. O chato é que se você viajar e for comprar isso fora do Brasil, deve gastar uma merreca pelo mesmo chá. Estão explorando pelo simples fato de estarem no Iguatemi. Mas como eu não vou sair do Brasil nem tão cedo, acho que realmente vou me comprar um chazinho por lá. Só resta tomar coragem de perder amor a 40 reais - o que eu acho difícil, pão dura do jeito que sou. Mas uma loja dessas só cobra isso tudo porque não se fabricam chás legais por aqui. Alguém sabe de algum outro lugar que venda chás variados - a Liberdade não vale, lá só encontrei verde (que comprei) e branco - e bons a bom preço?

Mudança com Gatos

Já de apartamento novo em São Paulo, veio a parte mais difícil: trazer os gatos. Não consegui ninguém que os trouxesse de carro para mim, o que seria o ideal, pensando no conforto deles e no meu. Sobravam duas opções:

- Trazer de avião, na cabine
- Trazer de ônibus, junto comigo

Eu JAMAIS traria meus gatos no bagageiro porque acho isso extremamente perigoso. Dito isso, entrei em contato com as companhias aéreas que fazem Rio-São Paulo a um preço acessível, TAM e Gol. A Gol só transporta no porão do avião, então foi descartada. A TAM deixa viajar na cabine, mas é cheia de exigências: cobra R$90 por animal, e além de toda a documentação exigida, e você precisar confirmar o embarque dos animais com a maior antecedência possível, você pode simplesmente chegar lá no dia e resolverem que você não pode embarcar naquele vôo com seus bichos porque algum passageiro não gostou da idéia de viajar com animais ou simplesmente o comandante não quer, depois de tudo pronto e teoricamente confirmado. Simples assim. Realmente não gostei da idéia e decidi tentar outros meios.

De ônibus, o processo é teoricamente mais simples: só podem viajar animais de pequeno porte, eles vão com você, é só apresentar os documentos (carteira de vacinação e atestado de saúde) ao motorista na hora do embarque e eles precisam estar naquela caixinha de transporte de plástico padrão para viagens. Parece simples. O problema é que o veterinário receitou um remedinho tranquilizante pra eles que mal fez cosquinha, e duas horas depois estavam os gatos acordados, dentro de um ônibus, e nós sem ter muito o que fazer. Felizmente o ônibus faz uma parada entre Rio e São Paulo e pudemos dar mais um pouquinho do remédio. Mas houve um acidente na rodovia, passamos duas horas literalmente parados, e de novo os gatos acordaram e não quisemos dar remédio de novo pra eles, sei lá se pode, e foi um sufoco. Resultado, oito horas com gatos em caixas, dentro de um ônibus, depois precisamos pegar um táxi para chegar em casa porque era mais de uma da manhã. Terrível. Conclusão: devíamos ter oferecido dinheiro a alguém para nos trazer de carro com eles. Pelo menos, caso eles acordassem, podiámos dar uma paradinha, abrir um pouco a caixinha e dar um pouco de carinho para eles se sentirem menos desconfortáveis. Mas, caso alguém queira viajar de ônibus com seu animalzinho, saiba que a 1001 aceita sem problemas.

Nem tudo que reluz é ouro

Então, eu estou viva. Queria saber se alguém tem alguma idéia de onde eu encontro “A Idade do Ouro” do Shostakovich - acho que não é domínio público, ele não morreu há tanto tempo assim, eu não sei de cor as regras pra algo virar domínio público - e esse “A Idade do Ouro” é um ballet muito bonito, bem diferente dos Tchaikovsky (eu nunca vou aprender a escrever isso direito) que eu tanto reverencio, porém eu nunca achei por aí dando sopa. Aí li no jornal hoje sobre uma montagem bizarra de uma ópera do Shostakovich - vão enfiar a ópera dentro de uma usina atômica desativada, tenho horror dessas “modernidades”, o cara deve estar se revirando no túmulo - e lembrei do ballet, e como passa gente de todo o tipo aqui, sempre vale a pena perguntar. E aguardem meu mega-post reclamando do Imposto de Renda, ele está a caminho.

O primeiro encontro

Mais um post (ao contrário do Romário, este é o meu post número 1000! Parabéns para mim!) temático sobre trabalho. Hoje resolvi falar sobre entrevistas de emprego, que é um assunto que considero muito importante. Por a carreira de TI ter muita concorrência, freqüentemente vejo a entrevista de emprego ser tratada como um simples “leilão de talentos”, o que considero uma prática péssima tanto para a empresa quanto para os candidatos e futuros funcionários. Vou entrar em detalhes, calma.

O que é o momento da entrevista? Não é apenas a empresa avaliando os skills (ui) do funcionário, mas é também a empresa se apresentando ao funcionário para que ele avalie se deseja trabalhar naquele lugar. Porém muitas empresas se aproveitam da competitividade do mercado para reduzir a auto-estima do candidato e colocá-lo numa posição em que ele vai se sentir implorando por aquela vaga, enquanto uma relação trabalhador-empresa deveria ser algo muito mais saudável que isso, para que o funcionário QUEIRA trabalhar lá, e não PRECISE trabalhar lá. QUERER é a palavra chave numa contratação. Se ambos, empresa e candidato, estiverem de acordo, certamente o relacionamento será de sucesso e aquele profissional terá um futuro promissor na empresa.

Todo mundo já passou pelos mais diversos processos seletivos, desde estrevistas tradicionais - a do meu penúltimo emprego foi especialmente simpática e agradável, com uma profissional qualificada de Recursos Humanos - até estranhas dinâmicas de grupo que eu gostaria que profissionais de RH me explicassem melhor o objetivo - por exemplo, uma na qual me mandaram imitar o Pelé, para uma vaga de programadora Web. Outro processo seletivo que me marcou, mas pela impessoalidade e não pela bizarrice, foi numa empresa na qual fui recebida por uma secretária, que me deu uma prova, me fechou numa sala isolada e pronto, era só isso - não houve nenhuma apresentação da empresa, do cargo, nada, e esta frieza me incomodou o suficiente para não desejar trabalhar lá, afinal, sou da teoria que a entrevista serve para o candidato avaliar a empresa também, e como não vi ninguém, como vou avaliar alguma coisa?

Gostaria, no entanto, de enfatizar que não sou de RH, sou de tecnologia, estou só expondo como uma pessoa de TI se sente ao ser tratada numa entrevista de emprego como se estivesse implorando por ele. Geralmente não estamos. Eu trabalho por amor, não trabalho pelo dinheiro. Claro que gostamos de salários dignos, mas já aceitei salários que não eram grandes coisas só porque o emprego me parecia realmente bom (e era mesmo). A entrevista é o primeiro encontro, serve para eu me apaixonar pela empresa. E garanto que não sou a única.

Interoperabilidade e emoticons

Agora que a Sula falou, eu posso falar também. Alguns amigos já sabem que eu saí do meu antigo emprego na semana passada, e que eu estava negociando com algumas empresas. E finalmente saiu o resultado final: fui chamada pela Sulamita para trabalhar com ela na Microsoft Brasil. Meu próximo passo será me certificar como MCP, e vou me especializar em ambientes mistos Windows/Linux. É um grande desafio para alguém como eu que passou os últimos cinco anos voltada para sistemas *nix, mas como todos sabem, nerds gostam mesmo é de desafios. Então, a hora é essa. E e a tal história, eu já estava um pouco incomodada de ter que ficar mudando pro Windows toda vez que queria jogar Warcraft III - que não funciona direito no Cedega. Então, eu estou trabalhando para um mundo melhor, o mundo da interoperabilidade. Torçam por mim, pois será uma grande mudança, inclusive com todos aqueles winks no MSN! Um mundo colorido e animado me espera!

Update: Um Zune Cor-de-Rosa para quem não observou cuidadosamente a data do post ;)

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