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Óculos Escuros

Dois anos atrás, quando eu fui no oftalmologista e descobri que precisava de óculos, a médica também me recomendou que, devido à minha fotofobia, eu usasse lentes fotocromáticas. Quando mandei fazer os óculos, perguntei o preço das lentes fotocromáticas e, quando me recuperei do choque após a resposta da vendedora, resolvi que ia comprar um par de óculos escuros normais mesmo. Porém, fiquei embromando, e nunca fiz isso.

Semana passada tomei vergonha na cara e comprei um par de óculos escuros, daqueles legais, com proteção UV. E não sei como vivi sem eles até hoje. É tão bom enxergar direito nos dias ensolarados! Estou fascinada! O sol sempre me incomodou tanto (pois é, eu moro num país tropical, o que eu esperava?), mas eu me conformava em fechar os olhos, colocar a mão na frente, etc, quando existe essa maravilha chamada ÓCULOS ESCUROS, que me permite enxergar com perfeição mesmo andando com o sol a pino num dia de verão. Lindo isso. Acabou o desconforto! Como eu vivi 26 anos sem óculos escuros nessa cidade ensolarada?

Troisième Monde

Terceiro Mundo não é apenas uma coisa econômica. É uma questão de comportamento também. Um claro exemplo de terceiro-mundismo é a home dO Globo de hoje. Bem, todo mundo sabe que o furacão Katrina arrasou várias cidades dos Isteites. Mas o sensacional jornal mostra que catástrofes naturais não são exclusividade dos americanos - veja lá embaixo, ei, o Brasil espera um ciclone, nós também temos, tá??? La la la la la!
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Inverno carioca

Eu nem comentei aqui, mas as bizarrices de segunda feira ainda foram complementadas pela inusitadíssima visita de Virgínia Lane à empresa. O que ela estava fazendo aqui, eu não sei. Mas parece ser conhecida de alguém. O chato é que ninguém da minha geração parece saber quem é ela, muito frustrante. Sei que ela depois foi lanchar na Confeitaria Colombo, que é aqui perto - provavelmente foi tomar o chá das cinco, que foi batizado em sua homenagem.

Mas voltando à vaca fria, o inverno parece ter finalmente chegado. Digo que parece, porque já pareceu antes e dois dias depois o calor senegalesco voltou a dar o ar de sua graça durante o dia. Então, não sei se dessa vez vai durar ou serão apenas mais dois dias friozinhos. É curioso ver o comportamento do carioca no “inverno” - cai uma gota de chuva e você já vê pessoas com luvas, gorros e casacões pela rua, afinal, é a única oportunidade no ano que o carioca tem de tirar do armário aquelas roupas pesadonas que não servem pra nada a maior parte do tempo.

Há alguns anos eu desisti de vez de usar guarda-chuvas. Odeio eles. Ok, eles te protegem da chuva, mas em compensação aumentam o índice de colisão com pessoas na rua, você nunca tem onde deixá-los escorrendo depois do uso, não cabem na bolsa, e invariavelmente você os acaba perdendo - ou, segundo teorias conspiratórias, eles fogem e vão para um universo paralelo junto com suas canetas, papeizinhos com telefones e endereços e outras miudezas fugitivas. Dessa forma, passei a usar casacos como forma de proteção pluvial, embora em chuvas muito intensas eles ainda deixem a água passar e me molhar. Assim, estou decidida a comprar uma capa de chuva com capuz, daquelas de pásticro mesmo, pra me proteger das águas de julho abrindo o inverno - já que as de março esse ano foram bem fraquinhas. Nunca entendi porque as pessoas preferem horríveis guarda-chuvas às práticas capas, que te protegem de verdade, mesmo em chuvas com vento, e não ocupam desnecessariamente suas mãos. Será masoquismo? Será um complô da mídia para manter viva a indústria de guarda chuvas - visto que todo mundo sempre perde um e precisa comprar outro? Ou será que é simplesmente porque as pessoas nunca esperam que vá cair uma chuva de verdade, e acham que aquela paradinha é o bastante para te manter sequinho? Oh, mistérios! Quem poderá desvendá-los?

A B C D Vitamin

Eu comprei, finalmente, a tão sonhada bicicleta. É uma Caloi Aspen aro 24 que tem o tamanho perfeito para minhas mini-pernas, parece a capa do Tour de France Soundtracks do Kraftwerk (de onde saiu o título do post), e eu andei bastante nela ontem e hoje. Ainda estou meio capenga - não pedalava há uns 10 anos - mas já consigo me virar. O bizarro é que descobri que o maior perigo para o ciclista não são os carros na rua, e sim os pedestres. Especialmente nos fins de semana, quando existem pedestres bêbados. Eu fui literalmente atropelada por um desses ébrios quando saía da calçada e ia para a rua - eu estava bem devagar, mas o sujeito levantou-se de uma mesinha e saiu meio cambaleando de costas, colidiu com minha bicicleta e não me derrubou, mas derrubou-se e à sua cerveja, e ainda ficou irritado comigo - e quase atropelei uma família que espalhou-se pela ciclovia e cujos membros não só não saíram da minha frente como acharam ruim eu buzinar para que saíssem, o que me fez berrar “DÁ LICENÇA!!!!” para conseguir passagem. Peraí, eu sou ciclista, estou na ciclovia, eles são pedestres e deviam estar na calçada, e EU estou errada de buzinar? Humanos, essa espécie estranha.

Essa semana pretendo dar mais alguns passeios curtos, como ir ao mercado, e sábado que vem pretendo ir um pouco mais longe - estou com o preparo físico de uma velha de 120 anos e não aguento mais que uns três ou quatro quilômetros sem pausa para descanso - mas definitivamente preciso mesmo é achar meu forro de gel para selim, que eu usava na academia, porque os selins modernos viraram verdadeiros instrumentos de tortura lombar, parecem feitos de cimento de tão desconfortáveis. Custava fazer a parada um pouco mais macia? Eh, provavelmente custava, assim ninguém ia gastar mais dinheiro com selins confortáveis ou forros de gel.

A Viagem

Ok, eu sumi. Vou explicar. Bem, minha viagem a BH foi um sucesso, tão sucesso, que eu não resisti e resolvi dar um pulinho em Sampa pra passar uma semana cercada dos amiguinhos nerds que encontrei em Belo Horizonte. Graças àquelas passagens super baratas da Gol, fui e voltei de São Paulo por R$120 - mesmo dinheiro que eu gastaria com ônibus.

Bem, primeiro vou falar sobre BH. Minha palestra foi horrível, porque o avião atrasou, o aeroporto de Belo Horizonte / Confins fica em algum lugar distante que deve ser Goiás e não Minas Gerais, então levei uma eternidade pra chegar na cidade realmente. E cheguei 15 minutos atrasada para a palestra, o que significa que eu estava nervosa, estressada e cansada, e esqueci metade das coisas que ia falar. Lindo. Felizmente, parece que deu pro gasto. E aí começou a alegria, porque depois saímos do local do evento e fomos fazer o que realmente interessa: BEBEMORAR O ENCONTRO LINUXCHIX. O dono do barzinho não deve ter gostado nem um pouco, visto que enlouquecemos os garçons tanto que esqueceram de marcar na minha comanda metade do que consumi. A farra foi boa e no dia seguinte muita gente foi vista dormindo nos corredores do lugar do evento, ou mesmo dentro dos estandes, para compensar o que não foi dormido à noite. No total, entre sexta feira e segunda, eu dormi apenas oito horas. E fiquei feliz mesmo assim - e olha que eu cheguei a perder o vôo da volta, na manhã de segunda, e só cheguei ao Rio às duas da tarde - só não morri de tédio naquele aeroporto do fim do mundo graças à companhia do amiguinho Claudio, do GentooBR também, que perdeu o vôo junto comigo e também viu o vôo de dois amigos nossos para SP atrasar porque aquela Joana Prado / Feiticeira e seu marido fortão não compareciam para o embarque. Bizarro. Mas foi bom, muito bom pra mim.

Daí resolvi ir a São Paulo. A viagem de ida e volta não teve nenhum percalço - ok, só fui sacaneada pelo motorista do táxi que me levou de Congonhas à casa da minha amiga porque, às seis da manhã, sem dormir há quase 24 horas, eu pedi para que ele me levasse na “Rua Abílio Diniz, quase esquina com a Cubatão” - e era Abílio Soares, Abílio Diniz é o dono do supermercado Pão de Açúcar. Entendido isso, cheguei à casa da Sula, onde dormi e tive cinco dias de esbórnia e perdição. Uma maravilha, incrível como essas coisas fazem bem à saúde, mesmo no sábado havendo sido torturada, levada para um passeio pelo Brás - que lugar horrível, meu deus, paulista precisa conhecer a SAARA aqui no Rio pra ver o que é bom. Mas o passeio a São Paulo foi ótimo, realmente. E vou virar freguesa da Gol, pelo visto, porque em Junho vou para Porto Alegre pro FISL. Uh, como estou viajadoira.

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