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Placebo

Foi, então, ontem o grande dia. Se eu havia sido feliz no show do Echo and the Bunnymen, eu atingi o nirvana no show do Placebo. Brian Molko, mesmo tendo deixado de ser uma menininha, canta BEM, canta o show inteiro, e, sobretudo, é LINDO e eu quero pra mim. A surpresa foi o baixista, o Stefan Oldsdal: o sujeito é um show ambulante (ou seria “pulante”?) pelo palco, fazendo evoluções com o baixo, rolando, pulando, sendo MUITO gay com blusinha brilhosa coladinha no corpo e calça de cintura baixa e, sobretudo, sendo a figura mais sexy da banda. E junta essa entidade com o muso Brian Molko e temos o melhor show de rock de verdade que eu já vi na vida - e, tenho certeza, um ótimo show mesmo pra não-fãs do cara. Aliás, eu pensava que era fã, mas depois de ver umas menininhas CHORANDO e gritando BRIAN EU TE AMOOOOO na frente do palco, eu concluí que eu gosto de Placebo, mas não sou fã não. Ou talvez eu seja fã e elas sejam doentes mentais, claro.

O show foi precedido por cinco showzinhos de cinco minutos de bandas nacionais, finalistas de um concurso promovido pela Claro. Eu fiquei impressionada como sempre a banda nova que entrava conseguia ser pior que a anterior. Felizmente não demorou muito a acabar a sessão suplício, e a festa começou e começou minha maratona para chegar até o palco e conseguir ver alguma coisa. Vou dizer que a “juventude fotologger” deve ter uma vida sexual muito frustrante pra ser tão mala - enfiam a câmera na sua cabeça pra tirar foto do palco e, claro, de si mesmos no meio da multidão. Umas pisadas estratégicas com minha bota de salto 12 no pé dos piores e pronto, consegui chegar suficientemente perto do palco.

Bem, para os não iniciados, Placebo é uma banda inglesa (sempre o rock inglês, claro) de meados dos anos 90, cujo vocalista já foi definido como “a filha que o David Bowie não teve” - ele hoje em dia parece menino, mas no começo você custava a entender que não era uma mocinha de profundos olhos azuis cantando - que tem um esquema gitarrinha distorcida, aliada a melodias grudentas e uma voz muito característica do Brian Molko, com letras altamente deprês. E isso é bom a ponto de você ouvir e saber ‘isso é Placebo’. Com a chegada do surto eletrônico musical nos últimos anos, eles adicionaram um pouco de efeitinhos às músicas e daí fizeram o Sleeping With Ghosts, o melhor disco dos últimos, hm, cinco anos (eu ia dizer dez, mas lembrei do Lamb de 1996) e eu coloquei os caras no meu hall de bandas favoritas definitivamente. E, depois de vê-los pessoalmente, concluí que o culto se deve também ao forte apelo fetichístico - eles são MUITO sexies, e sabem disso, e levam a multidão ao orgasmo explorando esse feature - do espetáculo, que é um capítulo à parte - eu pagava em dinheiro mais R$72 pra ver o Brian Molko e o Stefan Oldsdal juntos a dois metros de mim de novo, sem nem cantar, que dirá com música. Obviamente, não é, nem de longe, um show pra se comparar com o Kraftwerk - que continua sendo o show da minha vida, e não é nem um pouco rock - mas, definitivamente, valeu cada centavo do ingresso, mesmo a sacana da Ticketmaster cobrando R$12 de taxa extra pra me vender num ponto de venda em Copacabana. E lamento MUITO não poder ir hoje ao Dama de Ferro, onde o tal baixista gay sexy da blusa brilhosa coladinha vai tocar como DJ.

E, o que estaria eu fazendo acordada antes das nove da manhã depois de um evento desse porte? Bem, além de eu ter um vôo pra Belo Horizonte em poucas horas - a espetacular palestra de GCC me aguarda - eu ia ao banheiro, e quando acendi a luz, o bocal da lâmpada do teto EXPLODIU - não foi a lâmpada não, essa continua intacta, foi a parte de trás do bocal mesmo, que EXPLODIU, assim mesmo em caps, com foguinho e tudo, fazendo um barulho enorme, e que me fez perder o sono. Vou ter que pedir a minha mãe pra catar um eletricista pra ver isso hoje, se possível, porque eu acho muito perigoso deixar a casa fechada com um curto desse nível rolando no banheiro. Não quero voltar segunda feira pra comer churrasquinho de gato. Não parece, assim, um presságio de um fim de semana emocionante? Oh, yeah. Desejem-me sorte, eu vou precisar.

Olimpapadas

E eis que Johannes Paulus Segundus (não fica muito mais pomposo assim? João Paulo II me lembrava o professor de Química do Rainha Esther, onde fiz o segundo grau) foi-se. Essa semana que passou eu fiquei imaginando uma espécie de olimpíada cemiterística, onde Terri Schiavo, o papa e o Príncipe Rainier II apostavam pra ver quem morria primeiro. Terri, que já tinha uns 15 anos de vantagem sobre os outros dois, ganhou a medalha de ouro (e, honestamente, eu torci pra que ela ganhasse, aquela história da mulher ficar tal qual um nabo no hospital me deprimia) e JP2 (quase um jumper!) desejou tanto as melhoras do Rainier que ficou com a prata. Aliás, o Rainier ainda não terminou a corrida, então alguém ainda sempre pode levar o bronze no lugar dele.

Com essa história toda de papa morrendo (honestamente, acho que ele morreu na sexta, mas adiaram o anúncio da morte dele ao máximo que puderam pra fazer um drama de causar inveja à Glória Perez nas Alturas), acabei lendo umas coisas curiosas sobre lendas do papado, e me deparei com a lenda da Papisa Joana. Supostamente, Joana se passou por homem na Igreja no século IX e chegou a ser eleita Papa João, até que teve um aborto durante uma procissão e foi morta e ignorada pela Igreja. Bem, sou da teoria que toda lenda tem um fundo de verdade, e acho que só uma mulher muito burra correria o risco de engravidar tendo uma posição de destaque do nível papístico, e ser muito burra impediria também ela de chegar a tal posição sem ser descoberta. No entanto, acho perfeitamente plausível que uma mulher tenha enganado o clero, especialmente no século IX, a ponto de ter uma posição de destaque na Igreja (até mesmo papa, não duvidaria), até o dia em que foi descoberta - ou porque tinha peitos ou porque menstruava - e condenada a ter sua existência negada para todo o sempre. Portanto, acho que o lance do aborto pode ser a parte falsa, mas não questiono muito a possibilidade de uma mulher ter realmente se passado por homem na igreja mais de mil anos atrás. Para maiores informações a respeito, recomendo, pros que falam inglês, começar pelo artigo da wikipedia sobre a Papisa Joana e tirem suas próprias conclusões a respeito. Obviamente é o tipo de coisa que a igreja católica negaria freneticamente mesmo que apresentassem o cadáver da mulher enterrado no Vaticano, mas pra mim não quer dizer nada - acredito mais em saci pererê do que na Igreja Católica - e eu continuo achando perfeitamente viável. Mas sugiro que vocês leiam e tirem suas próprias conclusões.

Aliás, se escolherem um papa latino-americano, CERTAMENTE será para tentar compensar o terreno perdido por aqui para as igrejas protestantes nos últimos anos, não tenham dúvidas quanto a isso. A igreja é que nem político: não faz nada sem no mínimo segundas e terceiras intenções. Aliás, a igreja é a política disfarçada de religião. E, ok, preparo-me para uma avalanche de comentários desejando que eu arda no fogo do inferno por ser tão herege e idiota assim. Bem, sei lá, só espero que o inferno seja um lugar bem distante de onde irão as almas de todos os cristãos que conheço, porque o verdadeiro inferno pra mim seria passar a eternidade ao lado de todos eles.

Europa

As pessoas não entendem muito bem o meu fascínio pela Europa, minha vontade de viver em algum país europeu. Bem, além do fato de que ganhar mal em euros é muito mais agradável que ganhar mal em reais, o que me empolga MESMO é o tamanho da Europa.

Eu não acredito em astrologia, mas qualquer astrólogo me diria que meus instintos sagitarianos não me deixam ficar quieta no mesmo lugar e me fazem adorar conhecer lugares e coisas novas. Esse tipo de instinto aplicado ao Brasil acaba sendo imensamente frustrante, visto que o turismo para nativos aqui é caríssimo, e não vale a pena. Sair do país significa sempre passar longas horas num avião (a menos que você more numa cidade próxima à fronteira) para conhecer a américa latina, onde todo mundo fala espanhol. É legal? Deve ser. Mas é cansativo.

No entanto, se você mora na Europa, em uma hora de avião você muda de país. E não, eu não estou exagerando. Vamos observar a extensão territorial de alguns países, e compará-la com a de alguns estados brasileiros:

França: 547 mil km2 X Bahia: 564 mil km2 X Minas Gerais: 588 mil km2
Alemanha: 357 mil km2 X Mato Grosso do Sul: 358 mil km2 X Goiás: 341 mil km2
Reino Unido: 244 mil km2 X Tocantins: 277 mil km2 X São Paulo: 248 mil km2
Dinamarca: 43 mil km2 X Rio de Janeiro: 43 mil km2 X Espírito Santo: 46 mil km2

Dessa forma, fazer uma viagem da França à Dinamarca é mais ou menos como viajar da Bahia ao Rio de Janeiro. Claro que é legal conhecer outro estado, mas convenhamos, é muito mais legal conhecer outro país - especialmente outro país onde fala-se uma língua diferente. Eu já comentei que tenho fixação por idiomas? Dizem que se você fala inglês e alemão, aprende dinamarquês em uma semana. Também dizem que do segundo idioma em diante vai ficando cada vez mais fácil. E também dizem, por exemplo, que francês é mais fácil que espanhol pra aprender quando você fala português. Como eu tenho fixação por idiomas, meu próximo projeto é aprender alemão, e depois francês, e depois italiano e assim sucessivamente, até ficar que nem aquele cara que fala 54 idiomas. Ou não. Mas já me dou por satisfeita se eu aprender alemão decentemente - e, para isso, nada melhor que morar num país onde alemão seja língua nativa. Será que a SUSE me arruma um estágio?

Brian Molko for the masses

Eu não estava sabendo sequer de rumores a respeito, mas estou saltitante de alegria agora que saiu no Rio Fanzine que o Placebo vai fazer OITO shows no Brasil!!!!! Placebo, para os desinformados de plantão, é uma bandindie inglesa com um cantor andrógino que canta musiquinhas ótimas e lançou o melhor CD dos últimos, hm, cinco anos - porque o Lamb do Lamb (duh) é de 96 e o Dummy do Portishead é de 94, uau, dez anos - o Sleeping With Ghosts, que eu fiz questão de NÃO comprar por questões ideológicas - eu não compro CD que é feito pra que eu não possa ripá-lo à vontade e esse é protegido contra cópias - mas é lindo lindo lindo de morrer. E uhhh que delícia, eles vêm a esse país tropical e canibal novamente (eles vieram em algum momento do fim dos anos 90 no qual eu ainda não conhecia a banda) e eu poderei URRAAAAAR (porque eu não canto, eu urro) na primeira fila grudadinha no palco. Que gostoso. Tomara que resolvam trazer também a Björk, que eu quero ouvi-la cantar de perto.

Aliás, falando em Björk, ontem assisti a um DVD da Elis Regina com o Fabio, e ficamos impressionados COMO a Björk deve ser fã da Elis, porque tem váááárias coisinhas de jeito de cantar da Elis que a Björk nitidamente copia - o que faz muito sentido, a Elis provavelmente gostaria muito da Björk se não tivesse morrido devido ao excesso de burrice (eu consideo overdose == burrice) - e, putz, como a Elis cantava bem sem fazer esforço. Que raiva de ela haver morrido antes de eu ter idade pra assistir a algum show. Ela cantando Atrás da Porta é de fazer chorar até em DVD, imagina ao vivo??? Bah, mulher imbecil, podia estar vivinha da silva até hoje - hm, mas pensando bem, ela ia ter o desgosto de ver a total ausência de talento musical do Pedro Mariano - é, talvez tenha sido melhor pra ela assim mesmo. Ninguém merece o Pedro Mariano, que só pode ter sido trocado na maternidade, porque é tecnicamente impossível ser filho da Elis com o César Camargo Mariano e ser tão péssimo como só ele e a Bia Gravacas, digo, Grabois conseguem ser. Podiam se casar e se mudar pra Zululândia, cujos habitantes não conhecem Jon Secada mas talvez cozinhe-os ambos os dois enquanto dupla se porventura os ouvirem cantar.

Bicyclette Rendez-Vous

Je ne veux pas finir mes jours à Botafogo, e como também não pretendo me casar, estou decidida: vou comprar uma bicicleta. Eu adoro bicicletas e finalmente começo a encontrar algumas aro 24 no mercado - as 26 são grandes demais pros meus 148 centímetros de altura. Estou seriamente tentada a comprar uma Caloi Aspen, que tem marchas, retrovisor, aro 24 e custa em média 300 pratas. Sem contar que eu simpatizei muito com as cores de bandeira da França dela, me lembrou imediatamente a capa do Tour de France Soundtracks. Não entendo nada de bicicletas porque a última que tive foi dez anos atrás, mas caloi era uma boa marca, e tem um bom preço. Sundown eu não sei se presta, Conthey eu nunca tinha ouvido falar, então, vai Caloi mesmo. É, acho que vou virar uma pessoa saudável.

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