A Novela do Natal

Natal! Tempo de tender, rabanadas, paz, amor, e, sobretudo, não receber os presentes que você comprou pela internet. Pois é, você vai naquele site conhecido com alguns bons dias de antecedência, acredita no banner gigante que diz “Entrega Garantida até o Natal” e compra, seduzido pelo preço e comodidade de ter seus presentes entregues em casa bonitos e embrulhados antes da visita do Papai Noel, enquanto devora feliz seu panetone. E, no final, as coisas não saem bem assim.

Comprei dia 18 à tarde, no cartão de crédito, presentes para mamãe e Fabio no Submarino. Já havia comprado lá antes sem problemas. Confiei na embarcação e mandei ver. O débito no cartão aconteceu, claro, quase imediatamente. Porém, só no dia 20 recebi um aviso que os presentes seriam enviados para a transportadora – talvez o excesso de rabanada tenha tornado a tripulação um pouco lenta, não? A previsão para entrega era de até dois dias para o Rio de Janeiro – 22 de dezembro ainda era uma data tranqüila para presentes de Natal.

Comecei a esperar. Fim do dia 22 e nem sombra de nada. Tentei entrar em contato pelo atendimento do site e, para minha surpresa, ele simplesmente não funciona no Firefox. No canto, tem um logo da empresa que o desenvolve “Powered by Orbium”. Vou me lembrar desse nome para nunca contratá-la. No rabanadas for you. Com alguma dificuldade, achei o telefone do suporte. Uma menina mal humorada (Cíntia, acho) me atendeu e me disse para esperar, usar o chat do site (que não funciona, dã) e praticamente desligou na minha cara.

Dia 23 ao meio dia ainda não havia chegado nada e eu fiquei BASTANTE irritada. Liguei de novo, e dessa vez, finalmente fui bem atendida. O menino chamado Cícero me deu o número de rastreamento dos correios, blablabla, e foi simpático. Bem, com o número da encomenda em mãos eu pelo menos tenho idéia de onde minha encomenda está, né? Ha, vocês que pensam.

Na tarde do dia 23 chega uma encomenda do Submarino para mim com METADE do meu pedido. E aí eu não entendi mais nada. O rastreamento dos correios dizia que a encomenda estava no centro de distribuição de Laranjeiras, mas um dos presentes havia chegado. Informações desencontradas, metade do pedido chega, ninguém sabe nada. Mandei um e-mail pro SAC e a resposta foi linda “Iremos responder em 1 dia útil”. Genial.

O Natal passou e eu não tive o que cdar de presente pro Fabio, enquanto o pessoal do Submarino deve ter feito a festa comendo panetone. Também tenho comido bastante panetone, confesso, vou fazer o quê? O último capítulo da novela foi que o SAC finalmente me respondeu, dizendo que minha entrega será realizada até as 21:00 do dia 28/12 e me desejando um Feliz Natal – é pra rir? – enquanto o rastreamento dos correios diz que meu objeto saiu para entrega hoje às 10:44 da manhã, depois de ter passado 4 dias de bobeira, provavelmente comendo tender no Centro de Distribuição de Laranjeiras. Vamos ver quem está certo. A equipe Submarino espera que eu continue comprando lá. Claro! Talvez depois de beber muito champagne no réveillon, eu perca a memória!

BarCampRio: Review

Então, eu ontem fui à PUC, aquele lugar jesuíta e bucólico, para o BarCamp. E confesso que fiquei bastante decepcionada. Claro, é sempre bom encontrar os amigos, e encontrei amigos que não via há muito tempo MESMO, o que foi muito agradável. Mas vamos lá, o que eu esperava do BarCamp? Um lugar com pessoas cheias de idéias novas, sem o velho modelo de palestras caretas que são tão irritantes para assuntos como web (que a gente já ouviu tanto falar nos últimos anos), enfim, algo realmente NOVO. E aí?

E aí que acho que até a TFP é mais liberal do que o povo que estava lá, que se preocupava mais com as empresas que com os consumidores, gente falando em anunciar com banners e quadrados em um meio em que todos usam AdBlock, propaganda de “e-mail marketing”, media-kit de blog (hein??, problogging pra mim é doença), e coisas tão bizarras quanto, e eu esperando algo com muito menos papo pretensioso sobre negócios – tipo “Eu sou o Rei dos Blogs Brasileiros porque ganho dinheiro com isso” – e mais bate-papo informal sobre qualquer outra coisa, não rolou a não-palestra que eu mais queria ver, que era a “Técnicas de Blogagem para Pegar Mulé”, muito mais no clima… Totalmente surreal. Eu realmente não tenho saco pra “blogueiro” (odeio essa palavra) que se leva a sério. Tentei trocar duas palavras com o Carlos Cardoso, que eu não via desde os tempos de BBS, mas o assédio era tanto, por ele ser um pro-blogger, que ele me ignorou. Então tá.

Minha sugestão é um Bar-BarCamp: conferência em mesa de bar, para garantir a informalidade da parada, falando sobre nerdices ou não. Sem se levar a sério MESMO. Tem coisas que não combinam com seriedade. E eu ainda pretendia dar uma não-palestra ilustrada com bonequinhos de palito sobre “Sexo Nerd”. Não ia dar certo MESMO.

O Peso da Idade

Falta pouco mais de dois meses para meu aniversário de 28 anos. E eu me sinto, às vezes, uma velha de 90, mais resmungona que minha avó, que recém comemorou seus 89 outro dia. Ando sem paciência para muita coisa nessa vida, o que me deixa com a sensação que meus poucos, mas insistentes cabelos brancos têm seus motivos: sou novinha de corpo, mas velhinha de cabeça.

Não tenho tido paciência, como é comum à juventude, para discussões inúteis. Hoje mesmo brinquei com um cara do trabalho sobre Windows, ele começou uma discussão sobre as vantagens do Windows 2003 Server, e eu me resignei e disse “Olha, eu estava só brincando, odeio este tipo de discussão”. Odeio mesmo, isso nunca vai me levar a lugar nenhum, eu tenho mais o que fazer da minha vida do que argumentações que eu já fiz 500 vezes. Vai ler o Baboo e me deixa em paz.

Isso é extremamente curioso vindo de mim, cheia de opiniões ditas “polêmicas” e tal – continuo com elas, mas ando sem saco para discuti-las. Guardo os argumentos para mim, tenho meus amigos que concordam comigo, quero comprar o God Delusion em inglês só pra ver o quanto eu concordo com o Dawkins, etc. Mas argumentações sérias? Tô fora. No máximo uma filosofia de botequim com os amigos. Acho que passei da fase de jovem rebelde contestadora, sei lá, existe isso? Não que eu tenha parado que questionar, mas eu não tenho a paciência necessária para argumentar com gente que não vai gerar uma discussão, digamos, frutífera.

Enfim, acho que a idade pesou e minha paciência para o mundo foi embora. E eu não tenho nem 30 anos. Imaginem só o que vai ser do pobre interlocutor que me perguntar qual o melhor de dois sistemas operacionais daqui a 10 anos?

Sorria, você saiu da Barra

Estou trabalhando na Barra, e preciso contar para todos o que é a Barra, para poder compartilhar com o mundo essa sensação desgastante de passar quase 3 horas por dia no trânsito para me despencar para o outro lado da cidade.

Nasci e fui criada na Zona Sul do Rio de Janeiro – ou seja, a parte tradicional da cidade, onde passa o metrô e onde a história aconteceu. Existem outras regiões da cidade também, mas não vamos falar sobre a Zona Sul (bastante conhecida pelos espectadores de novelas da Globo, deprimente) nem sobre nenhuma das outras. Vamos falar sobre este lugar sem história ou vida, que até 30 ou 40 anos atrás era um imenso NADA, uma faixa de areia atravessado por uma faixa de asfalto, a Rio-Santos, este lugar estranho chamado BARRA DA TIJUCA.

Vamos falar do passado: A Barra da Tijuca tem esse nome por se localizar no entorno da Lagoa da Tijuca, creio eu. Olhando no link do Google maps, ela fica em toda aquela região da Lagoa da Tijuca (do lado da setinha) e a Lagoa de Marapendi. Já era um bairro monstruoso, originalmente, e, com a expansão imobiliária, foi roubando espaço de outros bairros – por exemplo, o Aeroporto de Jacarepaguá, o Autódromo de Jacarepaguá, e várias coisas que ficavam no Recreio dos Bandeirantes, que são bairros próximos, hoje ficam na Barra, porque é mais chique ficar na Barra que no Recreio ou Jacarepaguá.

Mas vamos voltar à história: Entre 30 e 40 anos atrás, não existia NADA, rigorosamente NADA, na Barra da Tijuca. Casais afoitos iam para estes bairros desertos namorar dentro dos carros, na beira da praia – isso ainda é praticado num trecho exclusivo da praia do Recreio, que é reserva ambiental, e não tem iluminação de noite nem nada, mas não é a mesma coisa. Tal prática era conhecida pelo nome de “assistir corrida de submarino”, entre outros apelidos engraçadinhos. Espertamente, começaram a brotar hotéis e motéis na região – em “Asfalto Selvagem”, Nelson Rodrigues já citava uma casa que alugava quartos em São Conrado, que fica logo antes da Barra – e os casais já não precisavam mais ficar dentro dos carros. A área da Barra escolhida foi o Itanhangá (que significa, em Tupi, “pedra do diabo”), que era por onde se chegava no bairro na época – primeiro é preciso subir a estrada do Joá, uma pedra alta e cheia de curvas fechadas, até hoje bem ruim para os motoristas, imagine tantos anos atrás – e lá nascia a Rua dos Motéis. O carioca que nunca foi à Rua dos Motéis que levante a mão. Alguns motéis têm mais de 20 anos de idade (e mantêm a decoração de 20 anos atrás, dizem!).

Depois, para facilitar a chegada na Barra, nasceu o glorioso Elevado do Joá. Eu morria de medo de passar por ele quando era criança, achava que ia cair no mar, mas a vista é linda. Começaram a nascer toneladas de prédios e houve o boom imobiliário. Shoppings, condomínios, tudo acontecia ao mesmo tempo na Barra. Morar na Barra de repente ficou chique. Os prédios são de gosto duvidoso – sempre um vidro azul-espelhado, granito e esculturas modernosas – mas tudo muito grande, espaçoso – espaço não falta – e prepare-se para ter um carro, porque só se vive de carro por lá. Ultimamente várias empresas têm se mudado para a Barra, e se você mora longe, só lamento, vai pegar muito trânsito para ir e voltar. Ah sim, esqueci de explicar um detalhe: o bairro foi todo construído ao longo de duas avenidas paralelas: a antigamente chamada Rio-Santos, hoje Av. das Américas, e a av. Sernambetiba, que é a avenida da praia. Em um certo momento, elas são cortadas pela Av. Ayrton Senna, que já foi Av. Alvorada, mas houve uma época em que ali não era tão Barra assim, como tudo por ali.

Para vocês verem que eu não estou exagerando, um pouco de pesquisa na internet e eu achei uma foto tirada do filme “Brasil Ano 2000″ – que é de 1968 – filmado na região onde eu trabalho, bem no meio da Barra, próximo ao maior shopping do Rio de Janeiro. Também achei foto do mesmo lugar tirada do site da CET-Rio em 2000 (de verdade) – as fotos são do site BarraCineOntem. Quarenta anos atrás quaisquer bairros das zonas norte e sul não eram areais como a Barra – é por isso que ela joga seu esgoto sem tratamento no mar até hoje, por conta do crescimento absurdo e desordenado em tão pouco tempo.

E qual o resultado? A Barra se transformou de um amontoado de areia em uma mini cidade com quilos de shoppings, cinemas e supermercados em menos de 40 anos. Claro que não podia dar 100% certo. O trânsito é caótico, o esgoto é um problema, as lagoas estão absurdamente poluídas, o calçamento é precário, vários terrenos baldios estão virando favelas, enfim, todos os problemas de uma cidade que cresceu mal administrada, só que em um só bairro. Os apartamentos lá são de alto luxo, mas custam a metade do preço de um equivalente na parte “tradicional” da cidade (ainda vão me perguntar o motivo?). E ainda tem uma placa quando você chega dizendo “Sorria, você está na Barra”. Foi mal, mas eu só consigo sorrir quando meu ônibus passa por lá na hora de ir embora.

Festivais

Essa época do ano é sempre animada. E um tanto depressiva. Tem o Festival do Rio, tem o Tim Festival, e a gente quer ver filmes e shows e nosso dinheiro vai pro espaço.

O Festival do Rio esse ano me alegra imensamente por trazer o tão esperado (por mim, claro) Control, baseado na história do Ian Curtis, e eu, como ávida fã de Joy Division, vou comprar meu ingresso para a primeira sessão tão logo comecem as vendas. O cara era um deprimido epilético que cantava mal – mas tinha uma voz maneira – e se matou com 23 anos quando eu tinha poucos meses de idade mas e daí, existe todo um culto em torno dele porque as músicas são lindas mesmo, e dizem que o filme é ótimo. Além do Control, temos o esperadíssimo duo Grindhouse – Planet Terror e Death Proof, que dispensa apresentações. Vejam os trailers, se ainda não viram. Sou fã do Tarantino e do Robert Rodriguez e estou numa fase bem sangrenta ultimamente. E daí esse trio de filmes já me faz bem feliz, e razoavelmente falida.

Sobre o Tim Festival, eu estou bem chateada. Eles vão trazer a Björk, e eu adoro ela. Achei o último album muito fofo e tal. Mas putz, é anormal o que eles querem cobrar de ingresso – 180 reais. Foi a mesma coisa que aconteceu com o show do New Order ano passado, eu não fui e não me arrependo tanto assim, porque faço muitas coisas legais com esse dinheiro. Adoro a Björk, mas 180 pratas não rola. E o mais revoltante é que o mesmo show dela em Curitiba vai custar SESSENTA REAIS, isso mesmo, UM TERÇO do preço aqui do Rio. O que me deixa mais convencida a não comparecer, e a ficar em casa dando uma festinha. Bem mais econômico.

E vocês, o que vão querer desses festivais?

Infected Mushroom

As pessoas adoram incrementar uma receita, mesmo que não tenha nada a ver, adicionando champignons a ela. Isso faz com que diversos pratos que encontramos por aí contenham, por mais bizarro que pareça, champignon. Não me levem a mal, eu não tenho nada contra cogumelos – eles é que têm contra mim.

A primeira reação que tive ao supracitado assassino amarelado eu devia ter uns cinco anos. Comi um peixe, obviamente adornado da iguaria em conserva, e passei muito mal depois. Culpei o pobre badejo, coitado, e pouco tempo depois deliciei-me novamente com um prato contendo os temíveis fungos comestíveis. Novamente, não deu certo, e quase fui parar no hospital. A desconfiança pairou no ar e parei de comê-los para todo o sempre, assim como qualquer coisa aparentada – funghi, shiitake, cogumelos frescos, entre outros. São deliciosos, mas o que acontece comigo depois não é delicioso.

Isso, obviamente, já me trouxe algumas saias-justas. Quando conheci o Fabio e ele me levou para almoçar com a família dele pela primeira vez, sua mãe, que é uma exímia cozinheira, preparou cuidadosamente um incrível MACARRÃO AO FUNGHI – que eu, obviamente, não comi. Em outra ocasião, num almoço de confraternização da empresa na qual eu trabalhava, a comida era um fantástico ESTROGONOFE (brasileiro, claro, o original leva cogumelos frescos e em nada se parece com o nosso) do qual só pude comer as batatas. E eu poderia continuar, pois essas coisas sempre acontecem e continuarão acontecendo – e as pessoas sempre acham que é só tirar o cogumelo assassino de cima que está tudo bem, eu posso comer, como se ele já não tivesse largado seu temperinho, seu líquido saboroso e matador no alimento e o infectado para mim. (Nossa, que dramático, vou entrar pro Evanescence)

Conheço muita gente alérgica a leite, mariscos e camarão, mas a cogumelos, sou o único caso que já ouvi falar. E olha que Super Mario era meu jogo favorito.