Archive for the 'Mulherzinha' Category

A Última Virgem

Eu sempre detestei a Sandy por tudo o que ela representa. Permitam-me explicar. Sou feminista. Se existem mulheres que trabalham fora, podem votar, buscam igualdade de direitos, é porque suas mães e avós saíram às ruas anos atrás e batalharam por isso, foram feministas como eu e garantiram esses direitos para elas. Se as mulheres hoje em dia ainda são ridicularizadas quando apanham do parceiro e tentam registrar queixa numa delegacia, ganham menos que os homens em cargos equivalentes, e ainda precisam buscar igualdade de direitos, é porque ainda existe machismo - e o fato de a mídia vender menininhas como a Sandy como a “mulher ideal” - ‘virgem convicta’, submissa aos pais e ao namorado, inocente e dependente tem muito a ver com tudo o que precisa mudar na cabeça não só dos homens, mas também das mulheres, pois a mudança vem de nós também.

E a fofoca da semana diz que a “mulher ideal” estaria grávida do namorado - oh que horror, diriam os puritanos fãs - e vai se casar numa “cerimônia íntima em alguns meses” (provavelmente com um vestido “fluido” com alguns babados, sabe como é). Na verdade, isso só corrobora minha tese que, quanto mais os pais obrigam os filhos a não fazerem sexo, maior a probabilidade de eles não usarem métodos contraceptivos quando fizerem. Mas isso é para outro texto. Estamos aqui nos despedindo do ícone de uma geração de adolescentes, ahn, errados. Queridos, lamento informar: Tanto a Sandy quanto a Britney fizeram sexo pré-marital. E sem camisinha. Agora, Sandy, nossa pós-adolescente pseudo-virgem, vai se casar. E grávida. Engraçado que eu podia apostar que isso ia acontecer. Bem, boa sorte, Sandy. E lá se vai A Última Virgem.

Renata, a Mulherzinha

Então, eu descobri que estou com celulite. Eu tinha uma bundinha de bebê, lisinha, e, apesar de ter experimentado uns cosméticos anti-celulite de brincadeira, nunca tinha realmente me preocupado com isso, porque, bem, eu era lisinha. Aí essa semana eu tive meu surto mulherzinha: EU ESTOU COM CELULITE. Aqueles furos, pois é, eu tenho. Eu começo a entender porque as mulheres fazem drama com isso, é horrível quando é em você. Quero desesperadamente fazer drenagem linfática, exercícios - mesmo que seja andar de bicicleta às cinco da manhã do horário de verão, essa coisa maldita - e comprar cremes de cafeína, tudo, absolutamente TUDO pra me livrar dos furinhos que me apareceram agora, à beira dos 28 anos - nem posso dizer que é o peso dos 30.

Surtei, virei uma dondoca afetada, por causa de uns furinhos! Eu, a mulher independente e feminista, revelo meu lado mais fútil, por causa da maldita celulite. Não adianta, sou igual a todas as outras. Qual o melhor creme? Onde se faz a melhor e mais barata drenagem aos sábados (é o único horário que tenho)? Como vou conseguir pedalar no aterro às cinco da manhã, será que é minimamente seguro? Será que preciso mudar algo na minha dieta? O ataque da mulherzinha assassina toma conta desta que vos escreve. Preciso me acalmar, respirar fundo, e, ou tomar alguma atitude sensata, ou me conformar que celulite, toda mulher tem. Oh céus, o que será de mim agora? Será que ando lendo muita revista de salão? (A propósito, a Deborah Secco disse que o “segredo de beleza” dela é um Nintendo Wii. Talvez eu devesse comprar um para me livrar da celulite. Parece uma boa desculpa, não? - meu aniversário vem aí, heh)

Silicon’s a Girl’s Best Friend

Graças ao Matsuoka, encontrei a versão mulherzinha do Engadget. Trata-se do ShinyShiny. Não que o Engadget não seja bom. Mas é que o shinyshiny tem coisas que só seu lado mulherzinha pode compreender. Pesquisas já mostraram que as mulheres de hoje preferem um gadget a uma jóia - e o ShinyShiny TEM OS GADGETS DOS NOSSOS SONHOS. Claro que não temos dinheiro para comprar uma hidromassagem-alto-falante, e, para falar a verdade, eu não quero um Zune cor de rosa - eu prefiro um Zen Vision cor de rosa de 60 Gb - mas os brincos de grampeador são ótimos mesmo. Enfim, um site para as meninas de hoje babarem. E agora me digam, O QUÊ eu vou fazer de divertido com um diamante?

Nerd que Malha

Eu voltei para a academia. Estava sedentária demais, só essa vida nerd, e ultimamente até pouco saía para dançar, uma coisa horrorosa. Eu tenho quase 30 anos, não posso ficar desse jeito senão viro uma vaca obesa na frente do computador. Tomei vergonha e não só me matriculei na academia como estou indo todos os dias. Dá aquela sensação horrível de lembrar que você tem músculos onde você esqueceu que tinha, basicamente porque eles doem, e você não pode desanimar por causa disso. Estou experimentando, além da musculação, diversas aulas com nomes estranhos, para ver quais eu continuarei fazendo. Academia é um lugar onde dá pra fazer um estudo sociológico. Ou zoológico. Depende do seu ponto de vista. Vamos às aulas, e às minhas impressões sobre elas.

Alongamento

Minha favorita. Relaxante, trabalha flexibilidade (eu já sou muito flexível por natureza, mas não custa nada melhorar), e, nesse começo doloroso, é extremamente necessária para atenuar o sofrimento das outras aulas. O único problema é o fato de eu ser sempre mais flexível que a professora e todos os alunos da turma. Sempre. Viro uma espécie de miquinho de circo, todo mundo me olhando. A professora diz “agora tenta isso…” e eu faço, com a maior facilidade. No começo é meio ridículo, mas depois eu abstraio. Por isso eu preferia Yoga, mas vamos falar dela agora…

Yoga

Era minha favorita, porque não tinha o efeito miquinho de circo da aula de alongamento, eu ficava esquecida ali no meio de todo mundo, ninguém me olhava, o professor era melhor que eu, etc. O problema é que mudaram o professor e agora virou moda entre os professores de Yoga DESLIGAR O AR CONDICIONADO DA SALA PORQUE NO YOGA TEM QUE TRANSPIRAR. WTF. Eu fiz uma aula sem ar condicionado, num dia de verão carioca, e quase morri. Sala fechada, suando em bicas, não dá. Eu gosto de coisas civilizadas. Eu já tolerava as yogices de acender incenso, ficar falando “esta é a kapotasana, a posição do pombo”, que bonito, mas TRANSPIRAR eu não suporto. Eu pago caro por uma academia com ar condicionado e o cara vem e DESLIGA? Não. Foi mal. Nunca mais faço essa porcaria. Reclamei disso com uma professora e ela me indicou uma aula chamada Body Balance, que é uma espécie de mistura de Yoga, Tai Chi Chuan e Alongamento, civilizado (com ar condicionado) e ainda eventualmente tem músicas boas. Fui experimentar.

Body Balance

Legalzinha. É menos calma do que parece. É da família Body Coisas, então, funciona assim: a cada três meses, é um set de músicas pré-definidos com exercícios pré-definidos (teoricamente, mas a professora tava de saco cheio e fez bagunça). Toca Moby. Fiquei puta que quando ia tocar Lemon Jelly, a professora disse “ah essa música é chata, vamos fazer outra” e colocou uma chatinha no lugar. Mas já teve set até com Lamb, olha que incrível. Posso esperar boas coisas dessa aula. Vou fazer de novo.

Body Pump

Essa eu gosto, já tinha feito antes. Outra da família Body Coisas, tem músicas horríveis que só mudam de três em três meses, mas então, o que ela tem de bom? A resposta: os resultados rápidos. Na primeira aula, você está morrendo, mal aguenta levantar a barra com 2kg de cada lado. Na segunda isso fica mais fácil. Na terceira se sente mais confortável e acha que dá pra colocar mais 1kg de cada lado. E desse jeito, quando você vê, tá levantando 10kg. Combinando isso com musculação então, é uma beleza. Vou voltar a fazer três vezes por semana, pelo menos.

Step

Eu instalo e configuro servidores para grandes empresas, configuro redes, monto máquinas, mas sou completamente incapaz de acompanhar uma aula de step. Por mais que me digam que é fácil, para mim parece coisa de outro mundo. Não tenho a coordenação motora necessária. Nunca mais volto. Foi a coisa mais ridícula da minha vida. Não. Minto. Peraí que vou falar sobre a coisa mais ridícula da minha vida, abaixo:

Body Combat

A coisa mais ridícula da minha vida foi o dia em que tentei fazer Body Combat, nem foi dessa vez, foi uns anos atrás, mas merece a menção. É patético. As pessoas ficam dando soquinhos e chutes no ar. Eu me fiz de exausta e saí depois de 15 minutos de aula. E as músicas têm SONS de soquinho, para que você se sinta socando de verdade. E muita gente faz isso e adora. Não dá. É über-ridículo demais pra mim. Quer socar alguém, vai fazer boxe.

Power Jump

Essa é divertida: você fica dando pulinhos ritmados em uma mini-cama elástica. Exige bem menos coordenação motora que o step, e muito fôlego. Quase morri, mas volto. A melhor parte é que são sempre as mesmas músicas durante um mesmo período, então elas têm a mesma coreografia básica (tipo dois pulinhos para a direita, dois pulinhos para a esquerda, coisa que até eu consigo acompanhar), o difícil mesmo é aguentar pular a aula inteira. Mas é divertido. Quem nunca quis pular em cama elástica, não é mesmo? Óbvio que vou voltar. E morrer.

Flex Fit

Esse nome misterioso compreende uma aula de alongamento/equilíbrio envolvendo você e uma bola gigante. Você entra lá, achando que vai brincar com a bola, e, acredite, não é fácil se manter em cima da tal bola gigante. Eu levei uns três tombos. É legal, gostei, se eu conseguir conciliar os horários, vou fazer. Parece uma coisa meio de astronauta. Você. E a Bola. Isso me lembrou um livro de ciências que eu tive na primeira série que chamava “Eu não sou uma Bola”

Localizada

Tradicional. Caneleiras, halteres, barra, colchonete. Não tem muito o que dizer. Chata, mas funciona.

O resto, acho que todo mundo conhece: esteira, bicicleta, musculação (lá tem uns aparelhinhos legais até, uns com botões pra você regular a carga, sabe como é, nerd adora coisas com botões!). Estou, por enquanto, me divertindo. Vamos ver quanto tempo dura - espero que o suficiente para eu tomar gosto pela coisa e ficar mais saudável.

Casamenteiro

Casamento é uma coisa estranha. Você tenta fazer da maneira mais simples e econômica possível, e existe um universo de breguice orbitando à sua volta. Minha vida realmente não mudou, não foi o dia mais emocionante nem esperado (talvez para minha avó, que sempre sonhou em me ver casada, moça direita, etc, pobre vovó) e eu honestamente ainda acho meus aniversários muito, muito mais divertidos (em 2009 farei 30 anos, aguardem A GRANDE FESTA, isso sim!).

1a. Parte: O Vestido

Se você não sabia, nem sempre as moças casaram-se de branco. O branco é uma tradição dos tempos da Rainha Vitória, que, ao que parece, foi a inventora dessa moda. O vestido era, originalmente, uma roupa bonita que seria usada depois, não necessariamente branca. No oriente é que usa-se muito vermelho. Só que parece que paramos no tempo e continuamos nos vestindo com roupas de Rainha Vitória para casar em pleno século XXI, que não servirão para nada depois. Quer dizer, vocês, eu não, porque eu tenho noção, eu vivo em 2007, comprei um vestido perfeito, vermelho, fresquinho, e sobretudo, de ótimo preço, porque sou muito pão dura.

2a. Parte: A Aliança

Não gosto de dourado, e muito menos de anéis estilo roda de caminhão. Minha aliança tinha que ser algo cool, interessante, e, de preferência, em um metal divertido e prateado. Minha primeira idéia foi concretizar um antigo desejo meu que era ter um anel tipo tira de Moebius, mas a coisa mais parecida que achei com isso custava 750 CADA. Apaga, esquece. Vamos de formato básico mesmo. Que tal algo de titânio ou tungstênio? Impossível achar, e mandar fazer custa mais caro que ouro, acreditem. Só me restou, então, me conformar com ouro branco, que tem paládio e ródio, e com alguma pesquisa encontra-se com preços condizentes com meu pão-durismo. Não vou andar por aí ostentando aliança de 500 reais. É só um anel, faça-me o favor.

3a. Parte: A Noite de Núpcias

Claro que todo mundo quer desculpa para ter sua noite de rei e rainha num bom hotel sendo bem tratado. O problema é que vivendo no Rio de Janeiro, os preços de hotelaria são abusivos. Abusivos do tipo, qualquer hotelzinho mais razoável cobra 400 reais a diária. Eu não estou nem falando de Copacabana Palace, pois sabemos que nesta época do ano a diária mais barata lá custa mais de mil reais. Então, vamos esquecer os hotéis. Escolhi um motelzinho bonito, onde a gerente ficou tentando me empurrar uma “produção” do quarto. A tal produção incluía um caminho de pétalas de rosas pelo quarto, pétalas de rosas na cama, na hidromassagem, na mesa, velas por toda a parte (do jeito que eu sou, no dia seguinte ia ser manchete nos jornais “Noiva incendeia Motel”) e balões em forma de corações, só faltando escravos núbios pra me carregar. Não, obrigada, prefiro “normal” mesmo. Custou a mesma coisa que o quartinho mais barato de um hotel, mas tinha dois andares, hidromassagem, piscina, sauna, vista pro mar, etc. Claro que eu preferia uma noite no Marriott, mas tenho coisa melhor pra fazer com 1800 reais. Aliás, eu preciso de 1800 reais.

4a. Parte: Os Preparativos

Eu cuido do meu cabelo com muito amor e carinho para que ele fique bonito, e não sei porque insistem que em casamento eu deva fazer um PENTEADO que vai enchê-lo de laquê e me deixar com cara de modelo do Ronaldo Ésper. Isso custa caro e é totalmente anos 80. Inclusive as noivas de hoje andam com uma mania de colocar umas microflorzinhas no cabelo, parece que jogaram confete nelas, estranhíssimo, não sei quem inventou isso. No cartório onde casei tinha uma assim. Mas como eu sou chata, meu cabelo estava solto, totalmente solto, liso, sem afetações. Mais simples, né?

Também ocorrem bizarrices em outras áreas: querem fazer “francesinha rendada” (não pergunte) nas suas unhas, depilação em forma de coração você sabe onde (se não sabe, melhor assim), maquiagem (de novo, pra te deixar com cara de modelo do Ronaldo Ésper), tudo, TUDO, só porque você vai ali no cartório assinar um papel com sua família sorridente em volta e quer depois bebemorar.

Epílogo

Eu fiquei realmente chocada com o número de noivinhas de branco e buquê, ou de vestido de gala e sapato dourado no cartório em pleno sábado de manhã. Isso explica toda essa indústria casamenteira: mesmo quem não tem dinheiro pra uma festança SONHA em dar uma festança e ser a Rainha Vitória por um dia. O noivo é só um detalhe. E por isso existem os Ronaldos Ésperes da vida. O importante é ser o centro das atenções com um vestido glorioso do século XIX. Cada qual com seu estilo.

Eu pessoalmente sou adepta da chutação de balde com boa música e não gosto de sentir calor, então, não me encaixo neste tipo de celebração tradicionalista. Deixo para as jovens moças românticas que ouvem Céline Dion. Claro que festas são sempre legais, *desde que* não tenha canapés frios, convidados malas, música ruim e roupas que não te deixam dançar. Logo, não acho festas tradicionais de casamento um bom lugar para se divertir. Por isso fui num lugar legal onde ouvi músicas boas e não tinha nada me atormentando. A Rainha Vitória já morreu, não é mesmo? God Save The Queen! (Não, não tocou Sex Pistols!)

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