Eu voltei para a academia. Estava sedentária demais, só essa vida nerd, e ultimamente até pouco saía para dançar, uma coisa horrorosa. Eu tenho quase 30 anos, não posso ficar desse jeito senão viro uma vaca obesa na frente do computador. Tomei vergonha e não só me matriculei na academia como estou indo todos os dias. Dá aquela sensação horrível de lembrar que você tem músculos onde você esqueceu que tinha, basicamente porque eles doem, e você não pode desanimar por causa disso. Estou experimentando, além da musculação, diversas aulas com nomes estranhos, para ver quais eu continuarei fazendo. Academia é um lugar onde dá pra fazer um estudo sociológico. Ou zoológico. Depende do seu ponto de vista. Vamos às aulas, e às minhas impressões sobre elas.
Alongamento
Minha favorita. Relaxante, trabalha flexibilidade (eu já sou muito flexível por natureza, mas não custa nada melhorar), e, nesse começo doloroso, é extremamente necessária para atenuar o sofrimento das outras aulas. O único problema é o fato de eu ser sempre mais flexível que a professora e todos os alunos da turma. Sempre. Viro uma espécie de miquinho de circo, todo mundo me olhando. A professora diz “agora tenta isso…” e eu faço, com a maior facilidade. No começo é meio ridículo, mas depois eu abstraio. Por isso eu preferia Yoga, mas vamos falar dela agora…
Yoga
Era minha favorita, porque não tinha o efeito miquinho de circo da aula de alongamento, eu ficava esquecida ali no meio de todo mundo, ninguém me olhava, o professor era melhor que eu, etc. O problema é que mudaram o professor e agora virou moda entre os professores de Yoga DESLIGAR O AR CONDICIONADO DA SALA PORQUE NO YOGA TEM QUE TRANSPIRAR. WTF. Eu fiz uma aula sem ar condicionado, num dia de verão carioca, e quase morri. Sala fechada, suando em bicas, não dá. Eu gosto de coisas civilizadas. Eu já tolerava as yogices de acender incenso, ficar falando “esta é a kapotasana, a posição do pombo”, que bonito, mas TRANSPIRAR eu não suporto. Eu pago caro por uma academia com ar condicionado e o cara vem e DESLIGA? Não. Foi mal. Nunca mais faço essa porcaria. Reclamei disso com uma professora e ela me indicou uma aula chamada Body Balance, que é uma espécie de mistura de Yoga, Tai Chi Chuan e Alongamento, civilizado (com ar condicionado) e ainda eventualmente tem músicas boas. Fui experimentar.
Body Balance
Legalzinha. É menos calma do que parece. É da família Body Coisas, então, funciona assim: a cada três meses, é um set de músicas pré-definidos com exercícios pré-definidos (teoricamente, mas a professora tava de saco cheio e fez bagunça). Toca Moby. Fiquei puta que quando ia tocar Lemon Jelly, a professora disse “ah essa música é chata, vamos fazer outra” e colocou uma chatinha no lugar. Mas já teve set até com Lamb, olha que incrível. Posso esperar boas coisas dessa aula. Vou fazer de novo.
Body Pump
Essa eu gosto, já tinha feito antes. Outra da família Body Coisas, tem músicas horríveis que só mudam de três em três meses, mas então, o que ela tem de bom? A resposta: os resultados rápidos. Na primeira aula, você está morrendo, mal aguenta levantar a barra com 2kg de cada lado. Na segunda isso fica mais fácil. Na terceira se sente mais confortável e acha que dá pra colocar mais 1kg de cada lado. E desse jeito, quando você vê, tá levantando 10kg. Combinando isso com musculação então, é uma beleza. Vou voltar a fazer três vezes por semana, pelo menos.
Step
Eu instalo e configuro servidores para grandes empresas, configuro redes, monto máquinas, mas sou completamente incapaz de acompanhar uma aula de step. Por mais que me digam que é fácil, para mim parece coisa de outro mundo. Não tenho a coordenação motora necessária. Nunca mais volto. Foi a coisa mais ridícula da minha vida. Não. Minto. Peraí que vou falar sobre a coisa mais ridícula da minha vida, abaixo:
Body Combat
A coisa mais ridícula da minha vida foi o dia em que tentei fazer Body Combat, nem foi dessa vez, foi uns anos atrás, mas merece a menção. É patético. As pessoas ficam dando soquinhos e chutes no ar. Eu me fiz de exausta e saí depois de 15 minutos de aula. E as músicas têm SONS de soquinho, para que você se sinta socando de verdade. E muita gente faz isso e adora. Não dá. É über-ridículo demais pra mim. Quer socar alguém, vai fazer boxe.
Power Jump
Essa é divertida: você fica dando pulinhos ritmados em uma mini-cama elástica. Exige bem menos coordenação motora que o step, e muito fôlego. Quase morri, mas volto. A melhor parte é que são sempre as mesmas músicas durante um mesmo período, então elas têm a mesma coreografia básica (tipo dois pulinhos para a direita, dois pulinhos para a esquerda, coisa que até eu consigo acompanhar), o difícil mesmo é aguentar pular a aula inteira. Mas é divertido. Quem nunca quis pular em cama elástica, não é mesmo? Óbvio que vou voltar. E morrer.
Flex Fit
Esse nome misterioso compreende uma aula de alongamento/equilíbrio envolvendo você e uma bola gigante. Você entra lá, achando que vai brincar com a bola, e, acredite, não é fácil se manter em cima da tal bola gigante. Eu levei uns três tombos. É legal, gostei, se eu conseguir conciliar os horários, vou fazer. Parece uma coisa meio de astronauta. Você. E a Bola. Isso me lembrou um livro de ciências que eu tive na primeira série que chamava “Eu não sou uma Bola”
Localizada
Tradicional. Caneleiras, halteres, barra, colchonete. Não tem muito o que dizer. Chata, mas funciona.
O resto, acho que todo mundo conhece: esteira, bicicleta, musculação (lá tem uns aparelhinhos legais até, uns com botões pra você regular a carga, sabe como é, nerd adora coisas com botões!). Estou, por enquanto, me divertindo. Vamos ver quanto tempo dura - espero que o suficiente para eu tomar gosto pela coisa e ficar mais saudável.
Sorria, você saiu da Barra:
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