Casamenteiro
Casamento é uma coisa estranha. Você tenta fazer da maneira mais simples e econômica possível, e existe um universo de breguice orbitando à sua volta. Minha vida realmente não mudou, não foi o dia mais emocionante nem esperado (talvez para minha avó, que sempre sonhou em me ver casada, moça direita, etc, pobre vovó) e eu honestamente ainda acho meus aniversários muito, muito mais divertidos (em 2009 farei 30 anos, aguardem A GRANDE FESTA, isso sim!).
1a. Parte: O Vestido
Se você não sabia, nem sempre as moças casaram-se de branco. O branco é uma tradição dos tempos da Rainha Vitória, que, ao que parece, foi a inventora dessa moda. O vestido era, originalmente, uma roupa bonita que seria usada depois, não necessariamente branca. No oriente é que usa-se muito vermelho. Só que parece que paramos no tempo e continuamos nos vestindo com roupas de Rainha Vitória para casar em pleno século XXI, que não servirão para nada depois. Quer dizer, vocês, eu não, porque eu tenho noção, eu vivo em 2007, comprei um vestido perfeito, vermelho, fresquinho, e sobretudo, de ótimo preço, porque sou muito pão dura.
2a. Parte: A Aliança
Não gosto de dourado, e muito menos de anéis estilo roda de caminhão. Minha aliança tinha que ser algo cool, interessante, e, de preferência, em um metal divertido e prateado. Minha primeira idéia foi concretizar um antigo desejo meu que era ter um anel tipo tira de Moebius, mas a coisa mais parecida que achei com isso custava 750 CADA. Apaga, esquece. Vamos de formato básico mesmo. Que tal algo de titânio ou tungstênio? Impossível achar, e mandar fazer custa mais caro que ouro, acreditem. Só me restou, então, me conformar com ouro branco, que tem paládio e ródio, e com alguma pesquisa encontra-se com preços condizentes com meu pão-durismo. Não vou andar por aí ostentando aliança de 500 reais. É só um anel, faça-me o favor.
3a. Parte: A Noite de Núpcias
Claro que todo mundo quer desculpa para ter sua noite de rei e rainha num bom hotel sendo bem tratado. O problema é que vivendo no Rio de Janeiro, os preços de hotelaria são abusivos. Abusivos do tipo, qualquer hotelzinho mais razoável cobra 400 reais a diária. Eu não estou nem falando de Copacabana Palace, pois sabemos que nesta época do ano a diária mais barata lá custa mais de mil reais. Então, vamos esquecer os hotéis. Escolhi um motelzinho bonito, onde a gerente ficou tentando me empurrar uma “produção” do quarto. A tal produção incluía um caminho de pétalas de rosas pelo quarto, pétalas de rosas na cama, na hidromassagem, na mesa, velas por toda a parte (do jeito que eu sou, no dia seguinte ia ser manchete nos jornais “Noiva incendeia Motel”) e balões em forma de corações, só faltando escravos núbios pra me carregar. Não, obrigada, prefiro “normal” mesmo. Custou a mesma coisa que o quartinho mais barato de um hotel, mas tinha dois andares, hidromassagem, piscina, sauna, vista pro mar, etc. Claro que eu preferia uma noite no Marriott, mas tenho coisa melhor pra fazer com 1800 reais. Aliás, eu preciso de 1800 reais.
4a. Parte: Os Preparativos
Eu cuido do meu cabelo com muito amor e carinho para que ele fique bonito, e não sei porque insistem que em casamento eu deva fazer um PENTEADO que vai enchê-lo de laquê e me deixar com cara de modelo do Ronaldo Ésper. Isso custa caro e é totalmente anos 80. Inclusive as noivas de hoje andam com uma mania de colocar umas microflorzinhas no cabelo, parece que jogaram confete nelas, estranhíssimo, não sei quem inventou isso. No cartório onde casei tinha uma assim. Mas como eu sou chata, meu cabelo estava solto, totalmente solto, liso, sem afetações. Mais simples, né?
Também ocorrem bizarrices em outras áreas: querem fazer “francesinha rendada” (não pergunte) nas suas unhas, depilação em forma de coração você sabe onde (se não sabe, melhor assim), maquiagem (de novo, pra te deixar com cara de modelo do Ronaldo Ésper), tudo, TUDO, só porque você vai ali no cartório assinar um papel com sua família sorridente em volta e quer depois bebemorar.
Epílogo
Eu fiquei realmente chocada com o número de noivinhas de branco e buquê, ou de vestido de gala e sapato dourado no cartório em pleno sábado de manhã. Isso explica toda essa indústria casamenteira: mesmo quem não tem dinheiro pra uma festança SONHA em dar uma festança e ser a Rainha Vitória por um dia. O noivo é só um detalhe. E por isso existem os Ronaldos Ésperes da vida. O importante é ser o centro das atenções com um vestido glorioso do século XIX. Cada qual com seu estilo.
Eu pessoalmente sou adepta da chutação de balde com boa música e não gosto de sentir calor, então, não me encaixo neste tipo de celebração tradicionalista. Deixo para as jovens moças românticas que ouvem Céline Dion. Claro que festas são sempre legais, *desde que* não tenha canapés frios, convidados malas, música ruim e roupas que não te deixam dançar. Logo, não acho festas tradicionais de casamento um bom lugar para se divertir. Por isso fui num lugar legal onde ouvi músicas boas e não tinha nada me atormentando. A Rainha Vitória já morreu, não é mesmo? God Save The Queen! (Não, não tocou Sex Pistols!)


53 quilos:
Skol Beats:
Mudança com Gatos:
A Volta:
Golpe?: