Archive for the 'Reality Show' Category

IV Linuxchix BR

Estive em Florianópolis neste feriado com o Fabio, para o IV Encontro Nacional Linuxchix, onde ministrei minha espetacular palestra sobre Linux em 64 bits. A cidade é interessante, toda calma e baixinha - quase como eu, que sou baixinha mas não sou calma - muito diferente do Rio de Janeiro, parece uma cidade do litoral fluminense, tipo Arraial do Cabo, Búzios, essas coisas. E é muito bonita à noite, com aquela ponte iluminada. Pena que tive que voltar no sábado, não pude curtir um domingo de turista pela cidade. Fiquei hospedada no hotel Castlevania, onde encontramos - no quarto standard que tinha até banheira de hidromassagem por apenas R$110 a diária - 4 redes wireless, sendo uma TOTALMENTE ABERTA. Comer em Floripa também é muito barato em comparação com os padrões cariocas. Só o atendimento nos bares, restaurantes, hotéis e no aeroporto pareceu realmente ruim, mesmo comparando ao atendimento carioca. Todos os que estiveram lá têm histórias bizarras para contar. E finalmente conheci o Matsuoka em pessoa, e seu sexy notebook de 12″, uma gracinha.

E, claro, existem fotos. As minhas eu ainda não subi, mas depois passo o endereço - sou péssima fotógrafa, preciso arrumá-las antes. Fabio subiu as que ele tirou pro Flickr. Divirtam-se.

ifconfig eth0 up

Então, voltei. De volta ao trabalho, às ruas asfaltadas, à poluição, ao computador, ao “Alog Renata” (eu já estou atendendo o interfone de casa assim, impressionante), à internet, ou seja, de volta à vida normal. Mas foi ótimo. Consegui, realmente, não pensar em trabalho por 48 horas. Fiquei num chalé isolado, num hotel que faz jus ao nome, tirei fotos, comi truta defumada, café da manhã bem servido, tomei banho de hidromassagem, acendi lareira, andei a cavalo (Fabio andando a cavalo pela primeira vez na vida foi um evento à parte…), e claro, tirei várias fotos, que depois eu subo para vosso deleite. O fato é que eu adorei o passeio, só gostaria de fazê-lo com mais dias, porque, devido ao tempo estranho (choveu granizo no sábado à noite), não consegui visitar o Parque Nacional e, com o frio, certamente não encararia as cachoeiras. Talvez seja uma boa voltar lá no verão.

Agora, a parte curiosa: pode não ter passado isso pela cabeça inocente dos donos do hotel, mas o sujeito que projetou o chalé, certamente projetou o chalé pensando em uma suruba. Primeiro que a cama tem três travesseiros. O box - de tijolos de vidro, lindo e enorme! - tem dois chuveiros e cabe tranquilamente três a quatro pessoas lá dentro. A hidromassagem é pra três pessoas também. E ainda tem uma bicama no quarto, além da cama king size com três travesseiros. Ah sim, e pra completar, na parede tem uma daquelas pinturas “artísticas” cafonas com duas mulheres peladas. Tudo bem que eu tenho a mente poluída, mas esse decorador também tem. Só faltou um espelho no teto, ou na frente da cama. Mas aí ia ficar muito óbvio ;)

ifconfig eth0 down

Vou passar o fim de semana offline. Vou dar uma de carioca e passar o fim de semana em Itatiaia, num hotel dentro do Parque Nacional, e depois voltar dizendo que peguei um puta frio, 13 graaaus, nossa!!! Vou tirar muitas fotos estilo Rigues, não pensar em trabalho e respirar ar puro por alguns dias. Depois, voltarei à vida, a estudar para a LPIC e a preparar minha palestra. Mas preciso muito passar uns dias sem pensar nisso. O chalé tem até lareira e banheira de hidromassagem, o hotel tem sauna, piscina aquecida e passeios a cavalo. Só espero que não chova o tempo todo, para que eu possa aproveitar melhor a viagem. Desejem-me um bom fim de semana, e até segunda!

Jesus faz backup

Fui de táxi para o trabalho hoje para não perder a hora e o motorista, muito simpático, junto com o troco me entregou um papelzinho “Toma, a palavra de Jesus pra você”. Claro que eu guardei o papel para ler e me chocar um pouco com o que se passa na cabeça dos evangélicos.

Pra começo de conversa, acho um tanto mal educado enfiar panfletos religiosos nas pessoas. Religião é uma questão totalmente pessoal, eu não fico distribuindo panfletos “Jesus não existe” ou “Viva o Ateísmo” por aí porque acho que seria extremamente grosseiro, eu estaria me metendo em crenças alheias que não me dizem respeito.

Em segundo lugar, eu acho incrível como esses religiosos deduzem coisas sobre a minha vida sem sequer me conhecer. No panfletinho de hoje dizia “A velha natureza do ser humano só lhe traz tristezas e falta de paz” - e, claro, a “nova natureza”, explicada mais abaixo, era encontrar Jesus. Eu realmente não tenho paz, mas não porque eu não encontrei Jesus, e sim porque o governador (ué, não é ele?) do Estado do Rio de Janeiro está mais preocupado em fingir que encontrou Jesus do que cuidar da segurança pública. E quem disse que eu só tenho tristezas? Eu tenho um emprego numa empresa ótima, fazendo o que eu gosto, namoro há seis anos com um cara que pensa como eu, tenho dois computadores rodando Linux, moro perto do meu trabalho e posso me dar ao luxo de jantar no restaurante japonês ou na Casa da Suíça de vez em quando. Tristezas? Minha tristeza é não ter um candidato em quem votar que vá me trazer paz quando eleito - mas isso não há Jesus que conserte.

A Proclamação da Escravidão

Quem pensa que a escravidão foi abolida em 1888 está muito enganado. Hoje em dia ela ainda é praticada. E não apenas no sertão, em bolsões de pobreza, como vocês devem estar imaginando. De dois em dois anos, milhares de brasileiros são convocados para o serviço eleitoral, que nada mais é que trabalho obrigatório não remunerado em um ou dois finais de semana. O mesário é um pobre infeliz que precisa acordar cedo no domingo da eleição e só vai sair da seção quando a votação encerrar. Mas pode ser pior. Existe o cargo de presidente de seção. Este desafortunado precisa comparecer à seção para arrumá-la no sábado, é o primeiro a chegar e o último a sair no domingo. Nenhum deles, repito, ganha nenhum centavo pelo trabalho. Nem comida. O que a Justiça Eleitoral faz como compensação é dar de três (mesário) a cinco (presidente) dias de folga do trabalho formal ao indivíduo - ou seja, repassa o problema para o empregador do cara, isso, é claro, se ele tiver um empregador.

Como podemos observar, nossa Justiça Eleitoral é super legal e correta. E foi essa Justiça Eleitoral super legal e correta que me convocou esse ano para o importantíssimo cargo de presidente de seção. Uma cidadã que questiona até a obrigatoriedade do voto, que acha que não temos candidatos decentes (e acredita que nunca iremos ter, sabendo da máfia que existe para lançar um candidato nos partidos), irá exercer o cargo de presidente de seção. Não é perfeito? Eu ainda escrevi uma carta para o Juiz Eleitoral solicitando minha dispensa por conta do meu trabalho como analista de suporte, alegando que eventualmente posso dar plantões (o que é verdade), mas não sei se o cara, enquanto Juiz da nossa super legal e correta Justiça Eleitoral, vai compreender e me dispensar. Aliás, para falar a verdade, eu duvido. Talvez eu precise levar uma carta do meu trabalho explicando isso. E talvez nem assim. Afinal, eles não estão nem aí nem para mim, nem para a minha empresa. Desejem-me sorte, eu vou precisar.

UPDATE: Consegui, depois de algumas cartas pro juiz da seção, alguma lábia e muita insistência, ser liberada do serviço eleitoral. Talvez eu devesse, ao invés de trabalhar com informática, ser advogada - sou uma chata quando cismo com alguma coisa e nunca me dou por vencida. Eu realmente atormentei o pessoal da minha Zona Eleitoral até conseguir a dispensa e neste fim de semana NÃO ESTAREI TRABALHANDO como presidente de seção. Alguma outra vítima menos chata e dramática que eu estará no meu lugar. Servir ao meu país? Só se o país fizesse algo por mim.

« Página anteriorPróxima Página »

Bad Behavior has blocked 841 access attempts in the last 7 days.